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Novo confronto entre indígenas e fazendeiros em MS amplia tensão na região

FolhaPress 05/08/2024 19:07

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Um novo confronto entre indígenas guarani-kaiowás e fazendeiros foi registrado em Douradina (MS) no fim da tarde de domingo (4). De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao menos um agricultor ficou ferido por disparo de bala de borracha.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O conflito na área de ocupação Yvyajere aconteceu menos de 24 horas depois de um ataque em um local próximo, nas áreas Pikyxyin e Kurupa’yty. As três comunidades estão entre as sete da Terra Indígena Lagoa Panambi, identificada e delimitada desde 2011.

Diante da escalada da tensão, o governo Lula (PT) diz ter reforçado a atuação da Força Nacional na região. O Ministério da Justiça afirmou que a equipe será ampliada com profissionais que serão deslocados de outros estados -detalhes não foram informados. A Força Nacional está no local desde abril deste ano e teve agora sua presença novamente prorrogada.

O confronto de domingo começou com um incêndio, que foi controlado por tratores. A Força Nacional interveio com uso de gás lacrimogêneo, e, em seguida, quatro disparos de armas de fogo foram ouvidos no local, ainda segundo o ministério. O autor dos tiros não foi identificado.

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O Ministério da Justiça afirma que a ação de controle de multidões foi necessária para "evitar mal maior, já que ambos os grupos estavam exaltados, com algumas pessoas armadas".

Fontes próximas aos guarani-kaiowás afirmaram à reportagem que o confronto deixou ao menos 20 indígenas feridos, mas a informação não pôde ser confirmada de maneira independente.

Procurado, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) disse que "os ataques do sábado e domingo foram contidos pelas equipes da Força Nacional presentes no território". A pasta se limitou a dizer que o confronto do domingo deixou ao menos uma pessoa ferida, aparentemente por bala de borracha.

Apesar de as retomadas ocorrerem em território já delimitado pela Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), o processo de demarcação está suspenso por determinação judicial.

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No sábado, cinco pessoas foram encaminhadas em ambulância ao Hospital da Vida, em Dourados (MS), de acordo com o MPI. A última atualização da pasta indicava que um indígena, atingido na cabeça, seguia no local em observação.

O ataque de sábado, divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), aconteceu após a Força Nacional sair da região. De acordo com os relatos, homens armados em uma caminhonete atiraram contra os indígenas com munição letal e balas de borracha.

O Ministério da Justiça diz que o confronto começou quando a Força Nacional fazia o patrulhamento em outra área da mesma região e então foi deslocada para o local do conflito. Afirmou também que o foco de todo o efetivo no estado está em auxiliar o MPI e o Ministério Público Federal (MPF), que estão intermediando os conflitos.

O MPF afirma que há relatos divergentes sobre o início do conflito. Os guarani-kaiowás dizem que foram provocados pelos fazendeiros, enquanto os produtores rurais alegam que houve um avanço dos indígenas para além da área previamente acordada.

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Os indígenas afirmam que os ataques contra eles começaram a partir da viagem para Brasília de diversas lideranças locais. Nesta segunda (5), o STF (Supremo Tribunal Federal) realizou a primeira reunião de conciliação intermediada pelo ministro Gilmar Mendes para tratar das ações que envolvem o marco temporal.

A reportagem não conseguiu contato com um representante dos fazendeiros.

O Ministério da Justiça já havia prorrogado em julho a presença da Força Nacional em Mato Grosso do Sul após indígenas guarani-kaiowá serem alvos de tiros nos municípios de Douradina e Caarapó. A Polícia Federal investiga o caso.

Levantamento do Cimi divulgado em julho mostra que assassinatos de indígenas voltaram a crescer no primeiro ano do governo Lula e tiveram alta de 15,5% na comparação com 2022, o último de Jair Bolsonaro (PL). Foram 208 mortos no ano passado, ante 180 em 2022, segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil.

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