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Nova diretriz para tratamento da obesidade foca em uso racional de medicamentos e mudanças no estilo de vida

Vitória News 03/06/2025 13:15

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) lançou a nova Diretriz Brasileira para o Tratamento Farmacológico da Obesidade, trazendo atualizações fundamentais sobre o manejo da doença no país. Com 35 recomendações, o documento reconhece a obesidade como uma doença crônica que exige cuidado contínuo e abordagem personalizada, marcando uma mudança no paradigma do tratamento.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo a Abeso, o principal objetivo da nova diretriz é promover a saúde, a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes, em vez de focar apenas na normalização do peso corporal. A nova abordagem propõe metas realistas, como a perda mínima de 10% do peso, visando o controle de comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, osteoartrose e doença hepática associada à disfunção metabólica.

“É uma mudança de paradigma. O objetivo não é mais apenas normalizar o peso, mas sim promover saúde, funcionalidade e qualidade de vida com metas possíveis e sustentáveis”, destaca o endocrinologista Bruno Halpern, vice-presidente da Abeso.

Avanços no tratamento farmacológico

De acordo com o endocrinologista Fernando Gerchman, coordenador do grupo responsável pela elaboração da diretriz, o documento é um guia clínico baseado em evidências científicas e adaptado à realidade brasileira. Gerchman enfatiza a importância da decisão compartilhada entre médico e paciente para a escolha do tratamento mais adequado.

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“A diretriz anterior é de 2016. De lá para cá foram lançadas três novas medicações para obesidade no Brasil: liraglutida (Saxenda), Contrave e Wegovy, que é similar ao Ozempic, mas com dose específica para obesidade (2,4 mg). E agora vem o Monjauro”, explica.

Ele acrescenta que a indicação dos medicamentos deve considerar pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 27 e alguma comorbidade ou IMC superior a 30, especialmente após tentativas frustradas de mudança no estilo de vida.

“A gente mudou esse conceito. Temos indicado medicações antes mesmo das mudanças de estilo de vida em decisão compartilhada com o paciente, levando em consideração também outras medidas de adiposidade corporal excessiva”, afirma Gerchman.

Perfil dos medicamentos

As medicações foram classificadas segundo a eficácia, segurança e duração do tratamento. A diretriz também aborda o uso off-label — utilização de medicamentos não aprovados especificamente para obesidade, mas com eficácia comprovada em estudos clínicos.

“O uso dessa estratégia deve ser individualizado, levando em conta fatores como a saúde geral do paciente, a presença de comorbidades e a resposta prévia ao tratamento, além da segurança, tolerabilidade e custo”, afirma Marcio Mancini, coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Abeso.

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Entre os medicamentos priorizados estão:

Medicamento Eficácia reconhecida Observações
Semaglutida Alta Reduz eventos cardiovasculares em 20%
Tirzepatida Alta Redução de 99% na incidência de diabetes tipo 2
Liraglutida Moderada Recomendado para perda de peso e controle glicêmico

Mudanças no estilo de vida são essenciais

Desde o início, o tratamento farmacológico deve ser associado a mudanças no estilo de vida, com adoção de dieta equilibrada e prática regular de atividade física. Alexandre Hohl, diretor da Abeso, destaca que medicamentos como semaglutida e tirzepatida apresentaram benefícios importantes em ensaios clínicos de larga escala.

“Esses fármacos demonstraram benefícios significativos em grandes ensaios clínicos”, reforça Hohl.

A diretriz recomenda ainda a personalização dos tratamentos, levando em conta fenótipos alimentares — padrões de comportamento alimentar — e características genéticas, psicológicas, sociais e ambientais.

“Identificamos que, ao classificar pacientes com base em comportamentos alimentares, conseguimos oferecer um tratamento mais direcionado e eficaz”, ressalta Gerchman.

Atenção a grupos específicos

O documento também dedica recomendações especiais para grupos como:

  • Idosos com sarcopenia (perda de massa muscular)

  • Pacientes com câncer relacionado à obesidade

  • Pessoas com insuficiência cardíaca

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Nesses casos, o controle da obesidade pode potencializar os efeitos de outras terapias e reduzir complicações.

Outro ponto importante é a contraindicação ao uso de fórmulas contendo substâncias não validadas ou perigosas, como diuréticos e hormônios, e o alerta para a necessidade de manutenção do tratamento.

“O que os estudos mostram é que, quando o medicamento é interrompido, o peso volta. A diretriz reconhece isso e recomenda a manutenção terapêutica com reavaliação constante”, destaca Mancini.

Principais destaques da nova diretriz:

  • Tratamento contínuo e individualizado: perda mínima de 10% do peso com foco na melhora de comorbidades e qualidade de vida.

  • Inclusão de novos critérios de diagnóstico: avaliação de medidas como circunferência da cintura e relação cintura/altura, além do IMC.

  • Reconhecimento de grupos específicos: recomendações especiais para idosos, pessoas com apneia do sono, osteoartrose e doença hepática associada à obesidade.

  • Contraindicação de substâncias perigosas: banimento de fórmulas com diuréticos e hormônios não validados.

A nova diretriz foi construída com base nas melhores evidências científicas e em consenso com 15 sociedades médicas brasileiras, representando um avanço no tratamento da obesidade no país.

Fonte: Agência Brasil
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