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'Nenhuma linha de investigação foi abandonada', diz general sobre apuração do caso Marielle

FolhaPress 09/10/2024 18:37

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O general Richard Nunes, atual chefe do Estado-Maior do Exército, afirmou nesta quarta-feira (9), em depoimento ao STF (Supremo Tribunal Federal), que nenhuma linha de investigação foi descartada na apuração sobre o homicídio da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O oficial afirmou ainda que o ex-PM Ronnie Lessa, executor confesso do crime, esteve entre os suspeitos desde o início das investigações.

Nunes depôs como testemunha de defesa na ação penal em que o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil, é acusado de ter auxiliado no planejamento do crime e retardado seu esclarecimento --Barbosa nega. Os mandantes do crime foram, segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, conselheiro do TCE-RJ e deputado federal, respectivamente.

As afirmações contrariam parte da tese da Polícia Federal segundo a qual Lessa só se tornou alvo após Rivaldo não suportar mais a pressão pela solução do crime.

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"Nenhuma linha de investigação foi abandonada. Em dado momento, nomes como Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz [motorista do carro usado para realizar os disparos] eram colocados dentro dessas linhas investigativas como pessoas que poderiam ter algum nível de participação", disse o general.

O oficial disse que tinha reuniões periódicas com Rivaldo e o delegado Giniton Lages, responsável pela apuração do caso e também sob suspeita. Ressaltou, porém, que não tinha detalhes das investigações e das diligências que eram realizadas, prestando apoio apenas quando solicitado.

O general declarou ainda que Rivaldo e Giniton desconfiaram desde o início do depoimento do ex-PM Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, testemunha que apontou outros executores e mandantes. A PF afirma que ele foi ouvido por iniciativa de Giniton e outro policial com o objetivo de desviar o foco da apuração.

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"Quem me recomendou cuidado [com Ferreirinha] foram os próprios delegados. Eles sabiam que poderia ter ali algum tipo de manipulação, algum tipo de informação que teria que ser filtrada. [...] As razões eram justamente o modo como ele foi colocado, a maneira como ele se apresenta, poderia estar ali para causar mais problemas do que soluções", disse o oficial.

Ferreirinha prestou dois depoimentos a delegados da PF, não envolvidos com o caso, antes de ser encaminhado à Polícia Civil, responsável pela apuração da morte.

O general negou que tenha sofrido ingerência política para nomear Rivaldo, como sugere a polícia em seu relatório.

BRAZÃO SE QUEIXA DE 'MALDADE' DE INVESTIGADORES

De acordo com a PF e a PGR, os irmãos Brazão encomendaram a morte de Marielle em razão de divergências políticas históricas com o PSOL, bem como a atuação da vereadora contrária aos interesses comerciais da dupla na exploração ilegal de terrenos na zona oeste do Rio de Janeiro.

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Antes da audiência, Domingos se manifestou sobre as acusações em conversa com um dos advogados. Ele criticou a investigação da PF e disse compreender a delação de Lessa, que o acusa, cujo teor ele diz ser falsa.

"Por parte do bandido a gente até entende. Mas os investigadores fizeram uma maldade muito grande com a gente. Não quiseram esclarecer a verdade. É muita covardia, não dá para se conformar", disse ele, antes do início da audiência.

Os depoimentos de testemunhas serão retomados no próximo dia 17, e os interrogatórios dos réus estão previstos para ocorrer entre os dias 21 e 25.

A defesa de Domingos, porém, recorreu da decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, de indeferir a oitiva das promotoras Simone Sibilio e Letícia Émile, que conduziram uma investigação sobre o caso em paralelo à de Giniton.

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