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Não são só as petroleiras: ações de fornecedoras americanas como Haliburton disparam com perspectiva de lucrar na Venezuela

O Globo 06/01/2026 03:10

A retomada da indústria de petróleo na Venezuela, pretendida por Donald Trump, tem beneficiado não apenas as ações das principais petroleiras dos EUA, como ExxonMobil, Chevron e ConocoPhillips.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No mercado acionário americano, as maiores prestadoras de serviços e fornecedoras de equipamentos do setor, como Schlumberger, Baker Hughes e Halliburton, lideraram os ganhos ontem na Bolsa americana, no primeiro dia útil após a captura do ditador Nicolás Maduro, com altas de até 11% ao longo do pregão.

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Para especialistas ouvidos pelo GLOBO, essas empresas terão papel central na recuperação dos poços de petróleo da Venezuela. Isso porque o país, que conta com a maior reserva do mundo, com 303 bilhões de barris, é conhecido por produzir um óleo classificado como pesado. Ou seja, o petróleo precisa passar por processos complexos de produção, com o uso de misturas químicas, chamadas de fluidos, para ser extraído.

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Há ainda tecnologias diversas de revestimento e sensores para poços de alta viscosidade, além da injeção de vapor para aquecer o óleo no reservatório.

'Papel central'

Assim, a Schlumberger fechou em alta de 9,05%, seguida pela Halliburton (+7,87%) e pela Baker Hughes (+4,09%). Entre as petroleiras, a Chevron fechou com avanço de 5,13%, seguido de ConocoPhillips (+2,59%) e Exxon (+2,54%).

— Extrair um petróleo pesado exige uma grande quantidade de fluidos e um trabalho específico. Empresas como Baker Hughes, Schlumberger e Halliburton terão papel central nessa recuperação dos campos da Venezuela. Muito se fala das petroleiras, mas essas prestadoras de serviços terão protagonismo, pois haverá uma demanda elevada por trabalho — diz Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

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Para especialistas ouvidos pelo GLOBO, essas empresas são candidatas naturais aos projetos de recuperação e desenvolvimento de campos na Venezuela, caso as sanções e acordos evoluam. Mas eles ressaltam, no entanto, a necessidade de cautela na retomada.

Escândalo na invasão do Iraque

Um dos analistas lembrou a polêmica envolvendo a Halliburton e a família Bush durante a Guerra do Iraque, em 2003, quando a empresa recebeu contratos bilionários do governo americano sem licitação, levantando suspeitas de favorecimento político.

Segundo esse analista, as críticas ganharam força porque Dick Cheney, então vice-presidente no governo George W. Bush, havia sido presidente-executivo da Halliburton antes de assumir o cargo. Embora investigações oficiais não tenham comprovado ilegalidades, lembrou ele, o episódio se tornou um símbolo da proximidade entre empresas do setor de petróleo e o governo dos EUA.

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'Poços abandonados'

Segundo Rafael Chaves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-diretor da Petrobras, as ações das empresas do setor de petróleo e de serviços dos EUA subiram na Bolsa porque a possibilidade de aumento da produção na Venezuela abre uma oportunidade de alto retorno sobre o investimento, já que o país possui grandes volumes de petróleo que já são conhecidos.

— A questão, antes de se falar em reconstrução, é entender qual será o modelo regulatório e quais serão as regras do jogo. A única certeza é que há muitas oportunidades de investimento, porque o país tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo, com cerca de 20% das reservas globais.

Pedro Rodrigues, da CBIE, lembra que a Venezuela não precisa de uma campanha exploratória, mas sim da recuperação de poços já existentes.

— São poços abandonados. Ainda não se sabe quanto isso vai custar, nem os desafios técnicos e ambientais envolvidos.

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