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Não existem níveis seguros de consumo de metanol, dizem especialistas

FolhaPress 08/10/2025 08:34

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A designer de interiores Rhadarani Domingos, 43, disse ter consumido três caipirinhas de frutas antes de ter perdido a visão devido à intoxicação por metanol. Bruna Araújo, 30, que morreu em São Bernardo do Campo nesta segunda-feira (6) havia consumido um combo de vodca com suco.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Outras vítimas confirmadas de intoxicação por metanol também tomaram quantidades variadas de bebidas alcoólicas contaminadas pela substância.

Existe um nível mínimo necessário de consumo da substância para prejudicar a saúde?

"O metanol é extremamente tóxico, por isso qualquer consumo deve ser evitado", adianta Thiago Carita Correra, do Instituto de Química da USP. O motivo é que a quantidade mínima pode variar de pessoa para pessoa e em qual tipo de bebida o metanol está inserido.

Uma garrafa de vinho tinto, exemplifica Correra, já estaria imprópria para consumo com em torno de 300mg por garrafa, o que seria entre seis a oito gotas —mesmo esta sendo uma dose abaixo do que provavelmente causaria danos.

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Em uma bebida com mais um teor mais alto de álcool etílico pode atrapalhar a metabolização do metanol, por competição. "É por isso que o álcool farmacêutico pode ser utilizado como tratamento", explica.

O peso corporal da pessoa, seu metabolismo, estado de hidratação, o quanto de etanol que foi ingerido em conjunto são os fatores que interferem no quanto o metanol vai prejudicar a saúde, diz Marcus Gaz, cardiologista e gerente médico das unidades avançadas do Einstein Hospital Israelita.

"Menores quantidades levam a sintomas mais leves, mas ainda assim colocam em risco de perda de função como a visão e doses maiores levam a comprometimentos maiores e até risco de vida", afirma.

Apesar de não existir um limiar seguro de ingestão, a literatura científica permite estabelecer faixas de doses —do produto puro— para diferentes graus de toxicidade, diz Jéssica Ramos, médica infectologista do Sírio-Libanês.

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"Segundo a literatura, uma dose diária considerada tolerável de metanol para adultos é de até dois gramas, enquanto uma dose tóxica é estimada em cerca de oito gramas", explica.

Considerando um grama de metanol equivalendo a 1,27 ml, 10 ml de metanol puro poderia ocasionar em sintomas mais brandos, enquanto uma dose mais próxima de 30 ml está associada à toxicidade grave, como o risco de cegueira e morte.

No entanto, a infectologista lembra que há pacientes que responderam de forma diferente à certas doses de metanol. "Isso sugere que a toxicidade depende não apenas da quantidade ingerida, mas também do contexto clínico e da presença de fatores protetores", diz, complementando que qualquer exposição ao metanol deve ser considerada grave e manejada com urgência.

Um ponto importante, segundo Ramos, é que o efeito do metanol no organismo é fortemente influenciado pela presença do etanol na bebida. Assim como Correra, ela relata que ambas as substâncias competem no organismo, e a ingestão conjunta de ambas pode atrasar o início dos sintomas.

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"Em casos de bebidas adulteradas contendo metanol e etanol, a toxicidade do metanol é reduzida temporariamente, mas não é eliminada; o risco persiste após a eliminação do etanol, quando o metabolismo do metanol é retomado", diz.

Sem o etanol, o aparecimento dos sintomas seria entre seis a 24 horas e com o metanol passa para 72 a 96 horas. Os sintomas iniciais, nas primeiras 24 horas segundo Gaz, ocorrem no início da metabolização e envolvem dor abdominal, dores de cabeça muito fortes, letargia, desequilíbrio e alterações visuais, como visão turva.

O estado de São Paulo, epicentro da crise, informou nesta terça-feira (7) que há 18 casos confirmados, 176 notificações e 10 mortes, sendo três confirmadas e sete em investigação. O estado também descartou 38 casos que estavam sob investigação. O Ministério da Saúde não atualizou os dados nesta terça, mas deve divulgar os números atuais nesta quarta-feira (8).

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