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Na Feira dos Municípios, o charme ficou no passado

Vitória News 08/07/2025 08:56
A Feira dos Municípios é, tradicionalmente, um dos eventos mais queridos do calendário do Espírito Santo. É aquele momento em que o interior desembarca na capital, trazendo na bagagem seus sabores, suas cores, suas histórias e seu sotaque próprio. Uma celebração da diversidade cultural do Espírito Santo, onde cada cidade tem a chance de brilhar, ainda que por alguns dias. Porém, nesta última edição, o brilho pareceu um pouco opaco — não por falta de talento, mas talvez por um certo tropeço na organização.
Senac 16 de julho — Capa (rail)
A começar pelo acesso: quem decidiu visitar o evento teve que fazer um contorno pela área do antigo TINS, uma manobra que exigia atenção redobrada e paciência de sobra. Nada impossível, mas também nada convidativo para quem esperava um acesso fluido. O estacionamento, por sua vez, custava R$15,00 — um valor que não chega a ser escandaloso, mas que, somado à falta de sinalização e à estrutura básica, acabou deixando um gosto um pouco amargo logo na entrada.Lá dentro, o clima era de festa — e de festa animada. O som ambiente, no entanto, ultrapassava os limites do animado e se aproximava do ensurdecedor. Vários palcos disputavam atenção ao mesmo tempo, e cada município parecia querer mostrar seu valor no volume máximo. Para quem buscava uma experiência mais tranquila, de conversa com artesãos e degustação de produtos típicos, o excesso de decibéis podia atrapalhar. Mas é fato que, para muitos, o clima animado foi parte do encanto.Um ponto que gerou preocupação — ainda que tratável — foi a forma de exposição de alguns produtos, especialmente os alimentícios. Queijos, doces, carnes e bolos estavam à mostra em bancadas simples, em muitos casos sem refrigeração visível. Diante das temperaturas elevadas, é natural que o público tenha se questionado sobre a conservação adequada dos alimentos. É provável que muitos produtores tenham seguido os cuidados possíveis dentro de suas limitações logísticas, mas um reforço na fiscalização e na estrutura oferecida pela organização poderia garantir mais segurança e tranquilidade.
SESC PICASSO
Ainda assim, não faltou dedicação por parte dos expositores. Muitos se esmeraram em apresentar o melhor de seus municípios, com barracas bem decoradas, atendimento simpático e produtos de qualidade. Em meio ao corre-corre e ao calor, era possível encontrar moquecas fumegantes, cachaças artesanais, pães de forno a lenha, bordados meticulosos e muito carinho envolvido. A alma do evento seguia viva, mesmo diante de alguns tropeços operacionais.É importante reconhecer que organizar um evento dessa dimensão não é tarefa simples. É coisa para profissional. São dezenas de municípios, centenas de expositores e milhares de visitantes circulando em poucos dias. Nem tudo sai como planejado — e isso faz parte. O que fica, no entanto, é a necessidade de repensar certos pontos para as próximas edições: melhorar a sinalização, rever a logística de acesso, cuidar com mais atenção da infraestrutura dos estandes, especialmente no que diz respeito à conservação de alimentos, e ajustar a programação sonora para que a música some, e não sobreponha.
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A Feira dos Municípios segue sendo uma vitrine importante para o Espírito Santo. É um espaço onde se pode experimentar o café produzido nas montanhas de Castelo, ouvir o som do congo de João Neiva e da Barra do Jucu, em Vila Velha, imortalizado pelo cantor e compositor Martinho da Vila, que gravou a famosa Madalena, comprar o abacaxi e o artesanato de Marataízes e se encantar com as “gordices” maravilhosas produzidas de Dores do Rio Preto — tudo no mesmo lugar. Essa ideia é forte, valiosa e deve ser preservada.Mais do que criticar, o que se espera é que os aprendizados desta edição sirvam como base para melhorias futuras. O charme da feira não desapareceu — apenas ficou um pouco ofuscado por falhas que são, sim, corrigíveis. Com diálogo, planejamento e atenção aos detalhes, é perfeitamente possível resgatar o brilho que sempre marcou o evento.Porque o Espírito Santo merece uma feira à altura de sua diversidade e riqueza cultural. E os capixabas — de norte a sul, do litoral ao interior — continuam prontos para mostrar do que são feitos. Basta dar a eles o palco certo, com som no volume adequado, temperatura ideal e, quem sabe, um estacionamento mais amigável.

 

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