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Munição que matou delator do PCC foi comparada pela PM, aponta investigação

FolhaPress 29/01/2025 20:22

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A equipe que investiga a morte do empresário Antônio Vinicius Gritzbach, assassinato em novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, identificou que parte da munição usada no ataque pertencia à Polícia Militar paulista. Três PMs já foram presos sob suspeita de serem os autores dos disparos e o motorista do carro em que os criminosos fugiram.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os indícios de que a munição usada no crime era da PM surgiram na análise pericial das armas e das munições apreendidas tanto na cena do crime como no carro, encontrado a cerca de sete quilômetros do aeroporto.

Conforme policiais ouvidos pela Folha ligados à investigação sobre o assassinato de Gritzbach, a Polícia Civil rastreou a numeração dos projéteis, consultou a empresa fabricante, a CBC, e teve a confirmação de que parte da munição utilizada no crime era de um lote adquirido pela Polícia Militar.

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As informações sobre a origem da munição foram publicadas inicialmente pelo UOL e confirmadas pela Folha de S.Paulo.

A Polícia Técnico-Científica analisou três fuzis semiautomáticos, uma pistola de calibre 9 mm e munições de diversos calibres apreendidos na investigação. Um laudo da corporação mostra os códigos de rastreamento, usados para identificar vendedores e compradores do material, para parte da munição analisada.

Segundo o laudo, a munição de fuzil encontrada no aeroporto partiu das armas encontradas a sete quilômetros de distância, no carro atribuído aos PMs presos. A perícia encontrou compatibilidade entre 21 estojos de calibre 7,62 com um dos fuzis encontrados no veículo.

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Alvo do ataque, Gritzbach havia fechado um acordo de delação premiada contra integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e contra policiais. O motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, 41, também foi atingido e morto no ataque.

No início de janeiro, a Corregedoria da PM e a Força-Tarefa do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) prendeu um tenente, um cabo e um soldado da PM suspeitos de assassinarem o empresário. Outros 14 policiais militares também foram presos por suspeita de envolvimento com o PCC numa operação da Corregedoria, inclusive agentes que integravam a escolta pessoal de Gritzbach.

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Os policiais acusados de atirar contra o empresário são o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues. Já o tenente Fernando Genauro da Silva -que trabalhava na 1ª Companhia do 23º Batalhão da Polícia Militar, na capital paulista- é acusado de dirigir o carro em que estavam os atiradores.

O tenente, segundo apuração da força-tarefa, já trabalhou com o cabo Dênis na Força Tática do 42º Batalhão da PM, e, Osasco, na Grande São Paulo, onde atuavam na mesma viatura.

A Folha de S.Paulo apurou que a investigação descobriu que o celular de Silva recebeu ligações exatamente no momento em que o carro saiu para levar os atiradores até o delator e depois uma nova ligação quando o carro é abandonado.

A defesa sustenta que o tenente é inocente. "Ele não cometeu esse crime, ele não estava no dia dos fatos", disse o advogado Mauro Ribas.

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