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MUG transforma ciência e memória ambiental em narrativa no Sambão

Escola apresentou enredo baseado nos registros da cientista Teresa da Baviera sobre a biodiversidade capixaba no século XIX

Vitória News 07/02/2026 09:56
MUG transforma ciência e memória ambiental em narrativa no Sambão
Foto: Marcos Salles/PMV/Divulgação

A Mocidade Unida da Glória cruzou o Sambão do Povo com um desfile que articulou espetáculo, memória e consciência ambiental no Carnaval de Vitória 2026. Com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, a escola apresentou ao público a trajetória da princesa e cientista Teresa da Baviera, que esteve no Espírito Santo em 1888 catalogando espécies e registrando um inventário da biodiversidade capixaba.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Assinado pelo carnavalesco Petterson Alves, o enredo transformou os registros científicos da obra Viagem ao Espírito Santo – 1888 em uma narrativa construída a partir da observação, do respeito à natureza e da valorização da memória ambiental. Ao longo da avenida, a MUG revelou um Espírito Santo diverso, exuberante e marcado pela riqueza natural.

Com cerca de 1.300 componentes distribuídos em 20 alas, a escola apresentou um desfile de coesão estética, riqueza simbólica e impacto visual. Fantasias com pedrarias, plumas e efeitos especiais estiveram presentes em diversos setores, compondo um conjunto visual que sustentou a narrativa proposta. Durante todo o percurso, o canto da escola se manteve forte, com o público acompanhando trechos do samba-enredo ao longo da apresentação.

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A Comissão de Frente estabeleceu o tom sensível do desfile logo na abertura. Com 14 bailarinos vestidos como araras vermelhas, a encenação colocou a própria natureza como protagonista, utilizando movimentos amplos e precisos para simbolizar comunicação, alerta e conexão entre mundos. No centro da cena, a figura de Teresa da Baviera surgia como alguém disposta a ouvir, observar e respeitar o ritmo da floresta.

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Hudson Maia e Letícia Malaquias, conduziu o pavilhão da escola com leveza e leitura clara do enredo. Com a fantasia “Verde Voa – Festa dos Papagaios”, o casal simbolizou o acolhimento da floresta à cientista viajante, traduzindo em dança a alegria, a comunicação e a vitalidade da mata.

A Ala das Baianas, intitulada “Encantos Submersos das Águas Doces”, representou as guardiãs dos rios e marcou a chegada serena de Teresa ao território capixaba. A coreografia evocou o avanço tranquilo de uma canoa pelas águas que guardam memórias e segredos.

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Entre os destaques individuais, a musa Juliana Kroebel Ribeiro desfilou com a fantasia “Serpenteando em Verde Esmeralda”, utilizando movimentos sinuosos para simbolizar a serpente como guardiã dos mistérios da mata.

O abre-alas, “A Terra Inexplorada – O Verde que Ainda Sonha”, apresentou uma composição visual que reuniu troncos, raízes, palmeiras monumentais e espelhos d’água, formando um grande templo natural. Canoas simbolizaram a travessia e o primeiro contato, enquanto lupas ampliavam detalhes da floresta, convidando o público à observação atenta do ambiente retratado.

Um dos momentos mais aplaudidos do desfile foi a ala “O Botocudo – Raiz Viva da Floresta”, que destacou os povos originários como protagonistas do território. Com corpos pintados e gestos de respeito, os integrantes da ala representaram o acolhimento da cientista e a transmissão de saberes invisíveis que habitam o chão, as árvores e os rios.

A bateria Pura Ousadia, com 175 componentes e sob o comando do mestre Lucas Massariol, conduziu o desfile com o tema “Sinfonia de um Sonho Verde”. O setor construiu um percurso sonoro marcado por contrastes rítmicos, alternando momentos mais contidos com viradas surpreendentes, sustentando a narrativa ao longo da apresentação. À frente da bateria, a rainha Layla Bastos manteve forte conexão com o ritmo, reforçando a energia do conjunto.

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O segundo carro alegórico, “Relicário Indígena”, aprofundou o encontro humano retratado pelo enredo. A alegoria apresentou cestarias, cerâmicas, grafismos, lanças e pinturas corporais como códigos ancestrais de identidade e comunicação com o mundo natural. Na composição, Teresa da Baviera aparecia acolhida pela tribo, observando e registrando com respeito.

Encerrando o desfile, a última alegoria representou o retorno de Teresa à Europa. Forrada por trechos do diário, a composição simbolizou o inventário sensível da expedição, destacando que a verdadeira herança da viagem não estava apenas nos registros científicos, mas no compromisso com a preservação da natureza.

Ao cruzar a linha final, a Mocidade Unida da Glória foi aplaudida pelo público, que reconheceu a consistência do conjunto apresentado. O desfile reafirmou o carnaval como espaço de memória, reflexão e educação sensível, marcando a passagem da MUG pelo Carnaval de Vitória 2026.

Fotos: Marcos Salles/PMV/Divulgação

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