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MP denuncia oito por suspeita de lavar R$ 5,2 milhões do jogo do bicho por meio de bets

Investigação aponta uso de empresas, pessoas interpostas e uma plataforma de apostas para inserir recursos na economia formal; Justiça recebeu a denúncia e suspendeu atividades de duas companhias

Vitória News 03/09/2026 09:18
MP denuncia oito por suspeita de lavar R$ 5,2 milhões do jogo do bicho por meio de bets
Foto: Joédson Alves/ABr

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou oito pessoas acusadas de participar de um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do jogo do bicho por meio de empresas ligadas ao setor de apostas esportivas online.

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Segundo a investigação, o grupo teria ocultado e dissimulado pelo menos R$ 5,2 milhões. A denúncia já foi recebida pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio de Janeiro.

Foram denunciados Flavio da Silva Santos, Vinicius Pereira Drumond, Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza.

As acusações são apresentadas pelo Ministério Público e ainda deverão ser analisadas no curso do processo. O recebimento da denúncia pela Justiça não representa condenação dos envolvidos.

Dinheiro teria sido inserido no mercado formal

De acordo com o MPRJ, recursos provenientes da exploração do jogo do bicho teriam sido colocados na economia formal por meio da Rio Jogos, casa de apostas operada pela Lema Administração e Participações S/A.

A acusação sustenta que diferentes empresas e pessoas apontadas como intermediárias foram utilizadas para movimentar os valores e dificultar a identificação da origem do dinheiro.

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Entre as companhias mencionadas pelo Ministério Público estão a JRF Eagle Participações e a Invectry Participações.

A Justiça determinou, a pedido do MPRJ, a suspensão das atividades e dos registros no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) dessas duas empresas.

Movimentação de R$ 5 milhões chamou atenção

O rastreamento financeiro descrito na denúncia identificou duas operações realizadas em 6 de maio de 2024.

Naquele dia, a Lema Administração e Participações recebeu dois aportes de R$ 2,5 milhões cada, totalizando R$ 5 milhões.

Segundo o Ministério Público, um dos repasses partiu de João Eric Lourenço da Silva. O outro teria sido feito pela Apoio Consultoria Financeira, empresa atribuída na investigação a Ana Paula Batista Vitorino e João Victor de Araujo Souza.

Ainda no mesmo dia, conforme a acusação, a Lema transferiu R$ 5,2 milhões para a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

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O pagamento teria sido destinado à outorga necessária para a exploração de apostas de quota fixa.

É justamente o caminho percorrido pelos recursos e sua origem que estão no centro da investigação por lavagem de dinheiro.

Buscas ocorreram em três estados

A Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público cumpriu mandados de busca e apreensão em diferentes endereços.

No Rio de Janeiro, as diligências ocorreram na Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e região central da capital.

Também houve operações no Paraná e em Goiás, com apoio dos Ministérios Públicos desses estados.

A apuração é conduzida pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ.

Bets teriam sido usadas para dar aparência legal ao dinheiro

Segundo a tese apresentada pelo Ministério Público, o mecanismo investigado buscava aproveitar estruturas empresariais vinculadas ao mercado regular de apostas para conferir aparência lícita a recursos que teriam origem na contravenção do jogo do bicho.

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Esse tipo de investigação procura identificar não apenas a movimentação financeira, mas também quem controlava os recursos, quais empresas participaram das operações e se os negócios realizados tinham finalidade econômica real ou serviam para dissimular a procedência do dinheiro.

No caso analisado, o MPRJ sustenta que houve utilização de diferentes pessoas jurídicas e de pessoas apontadas como laranjas para ocultar os beneficiários e a origem dos valores.

Denúncia abre nova etapa judicial

Com o recebimento da denúncia, o caso entra em uma nova fase na Justiça.

A partir de agora, as acusações apresentadas pelo Ministério Público serão submetidas ao contraditório, com apresentação das defesas, produção de provas e demais etapas processuais.

A suspensão das duas empresas determinada pela Justiça é uma medida cautelar e não equivale a uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos denunciados.

Ao final do processo, caberá ao Judiciário decidir se as provas confirmam ou não as acusações formuladas pelo Ministério Público.

Com informações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Agência Brasil.

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