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Motta indica deputado de oposição como relator da PEC da Segurança Pública na Câmara

FolhaPress 03/09/2025 19:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu a contratação de policiais militares aposentados para atuar nas escolas cívico-militares. É a quarta decisão, incluindo as judiciais, que interrompe a implementação do programa do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A medida foi tomada em uma sessão nesta quarta-feira (3) e atende a um pedido de políticos do PSOL que questionavam o processo de seleção dos agentes.

O conselheiro Renato Martins Costa determinou a imediata suspensão de todos os processos de seleção de pessoal para o programa, o que inclui o chamamento daqueles que já foram selecionados e atividades de treinamento desses agentes.

Procurada, a Secretaria Estadual de Educação não respondeu até a publicação.

Ele também determinou que a Secretaria Estadual de Educação envie informações sobre a contratação dos agentes em um prazo de dez dias úteis.

A representação da deputada federal Luciene Cavalcante, do deputado estadual Carlos Giannazi e do vereador Celso Giannazi defende que o edital de contratação dos policiais é ilegal e inconstitucional por prever despesas com pessoal que não estavam previstas na lei orçamentária deste ano.

SESC PICASSO

Também informam que o edital de seleção desrespeita o princípio da impessoalidade por contratação sem concurso público de cargos em comissão e não temporários, além de ferir o princípio da isonomia funcional e do acúmulo de remunerações.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, o governo Tarcísio pretende pagar aos policiais aposentados uma uma diária de R$ 301,70 —cerca de R$ 6.000 por mês caso cumpram a carga máxima de 40 horas semanais. Esse valor será somado ao que já recebem de aposentadoria.

A maioria dos selecionados pelo programa são praças, ou seja, eram militares de menor patente para as quais não é exigido que tenham ensino superior.

Assim, o valor que esses policiais vão receber apenas de complemento é 8% maior do que os R$ 5.565 definidos como piso salarial dos professores da rede estadual que precisam ter formação de nível superior adequada para atuar em sala de aula.

CONTADOR - BONUS

Em seu voto na decisão desta quarta, o conselheiro destaca ser de seu conhecimento que há uma ação sobre a constitucionalidade do modelo no STF (Supremo Tribunal Federal), a quem cabe o mérito do julgamento, mas segue parada desde novembro do ano passado.

Segundo Costa argumentou, no entanto, que não examina "qualquer linha de argumentação sobre eventual incompatibilidade" do modelo com a Constituição Federal, mas analisa a questão do ponto de vista da legalidade de despesas.

Para ele, o governo Tarcísio precisa prestar informações sobre o gasto com os policiais militares aposentados e, se essa despesa, está prevista na lei orçamentária.

Ele cita ainda artigo da Constituição Federal que diz que a contratação temporária de servidores públicos (como é o caso dos agentes que vão atuar no programa) só pode acontecer em casos excepcionais previstos em lei, haja necessidade temporária desses serviços ou que a contratação seja indispensável.

OUTRAS DECISÕES

Em agosto do ano passado, menos de três meses após a sanção da lei que criou as escolas cívico-militares, o programa foi suspenso por uma decisão liminar a pedido da Apeoesp (principal sindicato dos professores de São Paulo).

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A decisão, no entanto, foi derrubada pelo ministro Gilmar Mendes em novembro. Ele entendeu que a Justiça paulista invadiu a competência do STF ao decidir sobre o assunto, também levado à corte. A lei que instituiu as escolas cívico-militares também é questionada no Supremo e segue sem ser julgada.

Em julho deste ano, outras duas decisões judiciais barraram o edital para a seleção dos agentes. A gestão Tarcísio conseguiu reverter uma delas em poucos dias, mas a outra só foi derrubada em 13 de agosto, mais de 15 dias após o início do semestre letivo, quando o programa estava planejado para começar nas escolas.

Apesar de ser uma aposta de Tarcísio para ganhar apoio da base bolsonarista, o programa de escolas cívico-militares não é visto como prioridade pela equipe de Educação do governo. Exemplo disso é que, em maio do ano passado, o governador fez um grande evento para sancionar o projeto com a presença de vários aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas sem a participação do secretário de Educação, Renato Feder.

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