Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h35m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Mortes por gripe aumentam 115,9% em São Paulo

FolhaPress 22/08/2025 18:13

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No estado de São Paulo, o número de mortes por gripe aumentou 115,9% até 21 de agosto de 2025 (15h49) se comparado ao mesmo período do ano passado. Foram 576 óbitos em 2024 contra 1.244 em 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No mesmo intervalo, os casos subiram 87,9% —4.605 em 2024 para 8.656 neste ano. Os dados são da plataforma de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

Em 2025, a maior parte das infecções está concentrada na população com 60 anos ou mais (4.513); em segundo lugar (1.301), vem a faixa de 40 a 59 anos e em terceiro (907), os pequenos de 1 a 4 anos.

Situação semelhante também ocorre na capital paulista, onde a alta de mortes, no mesmo período, foi de 200,9% (107 em 2024 para 322 em 2025) e a de casos, 105,06%. (1.126 para 2.309)

No país só são notificados os casos graves de gripe, ou seja, aqueles que necessitam de internação. Dos 8.656, 32,01% (2.771) permaneceram em leitos de UTI.

Para Jessica Fernandes Ramos, membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e médica do Núcleo do Infectologia do Hospital Sírio-Libanês, o clima mais favorável para a propagação dos vírus respiratórios, a circulação de vários deles ao mesmo tempo e a baixa cobertura vacinal explicam os números mais altos em 2025.

SESC PICASSO

"Acho que é uma soma de fatores: o clima, a sazonalidade, o fato de termos muitos vírus em circulação –o que gera uma imunodeficiência que faz com que o vírus influenza, causador da gripe, possa deitar e rolar", afirma Jessica.

"Tem a questão da composição da vacina. A gente tem que ter dado a sorte do pessoal da OMS [Organização Mundial da Saúde] que seleciona os vírus que o Butantan coloca na vacina, ter incluído aqueles que circularam no inverno, no Hemisfério Norte. Até o momento, predominou o influenza A, que temos na vacina. Mas será que foi o AH3N2? Será que foi o AH1N1 pandêmico, que tem na vacina? Ou outro tipo de influenza A que a vacina não deu match? E isso é uma das maiores causas de falha vacinal, de baixa eficácia, porque já não é uma vacina 100%", diz a infectologista.

CONTADOR - BONUS

Até 21 de agosto, no estado de São Paulo, a cobertura vacinal do grupo prioritário (pessoas com mais de 60 anos, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes) foi de 48,17%. No município, a imunização no mesmo público chegou a 53,48%. A meta é alcançar 90%. Vale lembrar que no estado a vacina é ofertada para toda a população a partir dos seis meses.

De acordo com David Uip, diretor nacional de infectologia da Rede D’Or, além da baixa cobertura vacinal, é importante ressaltar que com a pandemia de Covid as doenças estão mais precoces, mais graves e algumas diferentes.

"Por exemplo, na dengue tradicional a complicação era a dengue grave. Agora, estamos vendo meningite, meningoencefalite, pericardite. E nós não víamos ou não diagnosticávamos. Quando cai o nível de vacinação, as consequências são as complicações. Os indivíduos mais idosos, com comorbidades e influenza têm mais complicações, principalmente pneumonia", explica David Uip.

O infectologista alerta para a importância da vacinação contra o vírus influenza e outros meios de proteção como o uso de máscaras se estiver com sintomas gripais e evitar aglomerações.

Anuncio - Raimundo - Bonus

"O que eu vejo são as pessoas espirrando, tossindo e lidando com os outros sem nenhuma preocupação. Elas esqueceram a pandemia. Esse inverno está mais forte e duradouro. As pessoas se aglomeram e ficam em ambientes mais fechados no frio", afirma o especialista.

COMO DIFERENCIAR A GRIPE DOS EFEITOS DO TEMPO SECO?

Segundo a infectologista Jessica Fernandes Ramos, a febre é o grande diferencial.

"Calafrios, dor de cabeça, dor no corpo –como se tivesse feito muita ginástica e a musculatura fica dolorida– são outros sinais de alerta. Para ter certeza, pelo menos para coronavírus e influenza, tem os testes rápidos, disponíveis em farmácias, drogarias e em alguns serviços de pronto atendimento, de pronto-socorro, como as UPAs", comenta Jessica.

"Na ausência de febre e desses sintomas mais importantes tanto pode ser uma alergia quanto um quadro viral, mas não o influenza. Serão vírus de resfriado como rinovírus, parainfluenza, metapneumovírus. O influenza costuma ser mais agressivo", finaliza a médica.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas