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Morre Rosa Magalhães, a dama do Carnaval do Rio, aos 77 anos

FolhaPress 26/07/2024 09:28

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A carnavalesca Rosa Magalhães morreu na noite desta quinta-feira (25) após 50 anos de dedicação à festa popular que a consagrou como grande campeã dos desfiles do Rio de Janeiro. Tinha 77 anos e sofreu um infarto.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) lamentou a morte e definiu Rosa como uma carnavalesca que fez história. Ela também foi cenógrafa, figurinista e diretora de arte. Era chamada de professora e dama do Carnaval do Rio.

Rosa conquistou sete títulos de campeã nos desfiles das escolas de samba cariocas, a primeira vez em 1982, pela Império Serrano, ao lado de Lícia Lacerda, com o enredo "Bum Bum Paticumbum Prugurundum", um dos mais famosos do grupo especial.

"Fica aqui a nossa gratidão por tudo que você fez pelo Carnaval, pela contribuição na nossa história e à arte", declarou, em nota, a direção da Império.

Na Imperatriz Leopoldinense venceu em 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. Esteve à frente da escola durante 16 anos. Em 2013, na Vila Isabel, ao lado de Alex Varella, conquistou o último campeonato de sua vida com o enredo "A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo - Água no feijão que chegou mais um", sobre a importância da agricultura para o país.

SESC PICASSO

Rosa ganhou o Emmy de melhor figurino na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Também foi responsável pela festa de encerramento das Olimpíiadas do Rio em 2016. As duas experiências são relatadas no livro "E vai rolar a festa".

Filha dos escritores Raimundo Magalhães Júnior e Lúcia Benedetti, a carnavalesca começou a desenhar na infância, enquanto os pais escreviam, em silêncio, no apartamento da família em Copacabana. A arte entretia a menina e definiu sua trajetória.

Estudante na infância do tradicional Sacré Coeur de Marie, cursou a Escola de Belas Artes da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e cenografia na Unirio. Também era formada em francês pela Faculté des Lettres et des Sciences Humaines de Nancy.

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Rosa fez parte de um grupo de carnavalescos que levou conhecimentos acadêmicos para o Carnaval carioca, transformando a festa em um espetáculo audiovisual, com desfiles mirabolantes e construídos a partir de intensas pesquisas, unindo a cultura erudita à popular.

Colaborou com Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, em 1971, no desfile histórico e vitorioso do Salgueiro, com o enredo "Festa para um Rei Negro", sobre a visita de príncipes africanos a Pernambuco.

"Ela tem um papel fundamental, assim como Lícia Lacerda e Maria Augusta, por ser uma carnavalesca mulher. É um aspecto ainda pouquíssimo debatido no universo das escolas de samba", disse o professor universitário Leonardo Bora, carnavalesco da Grande Rio, no documentário "A moça prosa da avenida", lançado há quatro anos.

Em 2022, a artista doou o acervo iconográfico, com 5 mil croquis de figurinos e alegorias, à Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). A coleção reúne trabalhos a partir de 1974 para desfiles de várias escolas, como Imperatriz Leopoldinense, Mangueira, Beija-Flor, Portela e Vila Isabel.

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Também em 2022, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da universidade pela contribuição à cultura. Ao longo da vida foi tema de dissertações, teses e documentários.

Tinha no currículo criações como a montagem de um espetáculo do cantor lírico José Carreras e de uma ópera escrita por Roger Waters; participação na 21ª Bienal de São Paulo e na 49ª Bienal de Veneza e em mostras no Museu de Arte do Rio.

O último trabalho foi para a Paraíso do Tuiuti, em 2023. Ela não participou do Carnaval de 2024. Em entrevista ao site Carnavalesco, falou sobre cansaço e dificuldades financeiras para colocar as escolas de samba na avenida.

Nas redes sociais, a São Clemente declarou que Rosa tinha que ser para sempre. "Seu legado é marca fincada na história do nosso Carnaval. Descanse em paz, eterna professora", afirmou a direção da Grande Rio.

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