Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 10h09m
Vitória News — Um jornal de verdade
Variedades

Morre Maurizio Pollini, um dos maiores pianistas de sua geração, aos 82 anos

FolhaPress 23/03/2024 15:10

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Extraordinário intérprete de Chopin e Debussy, o italiano Maurizio Pollini, um dos maiores pianistas de sua geração, morreu neste sábado (23), aos 82 anos. A notícia foi confirmada pelo Teatro alla Scala, de Milão, cidade onde o artista morava e se apresentava com frequência. A causa da morte não foi divulgada.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Com sólida carreira internacional e gravado pela Deutsche Grammophon, Pollini deu ao mundo uma combinação de rigor técnico e beleza, avivada pela clareza com que atacava as teclas de seu piano. Dele, extraía o frescor de um som limpo, alicerçado em suas engenhosas articulações.

Não à toa, sua interpretação da obra de Debussy soa especial. A despeito do excessivo uso de pedais, que formam paisagens nebulosas, vaporosas, o pianista surgia ali como senhor de si: o elo entre o som e seu criador impressionista.

SESC PICASSO

É o que ocorre, por exemplo, em sua gravação de 1998 do primeiro livro dos "Prelúdios", de Debussy, em especial nas peças "Les Sons et Les Parfuns", "Des Pas Sur La Neige" e "La Fille Aux Cheveux de Lin". O segundo livro seria registrado 20 anos depois.

Mas nenhum outro compositor recebeu tanta atenção de Pollini quanto Chopin. A discografia é imensa —a paixão do pianista, também. Em 2004, ele ofereceu uma das melhores interpretações já ouvidas dos "Noturnos", concebidos pelo compositor polonês. O disco, que reúne a obra mais popular de Chopin, pode ser uma porta de entrada para os novos fãs do instrumentista italiano.

CONTADOR - BONUS

Afinal, nos tempos contemporâneos da música de concerto, Pollini também se tornou sensação no Spotify. De todo modo, sua adesão ao romantismo não o impediu a de construir um repertório assaz extenso, dialogando até com a arte de Schoenberg.

Ele mantinha, inclusive, uma relação curiosa com Bach, recusando a tocar suas peças. Segundo Pollini, Bach compusera sua obra para ser tocada em cravos.

Pollini é milanês e, dentro de casa, era estimulado a se interessar por música. Seu pai era arquiteto e músico amador. Por isso, o menino começou a tocar piano aos cinco anos, dando seu primeiro recital seis anos depois. Em 1960, ele venceu —sendo o mais jovem participante— o Concurso Internacional de Piano Chopin, em Varsóvia, na Polônia. O júri incluia nada menos que Nadia Boulanger e Arthur Rubinstein.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Em seguida, estudou com Arturo Benedetti Michelangeli e se engajou em movimentos políticos de esquerda. Mais recentemente, foi um crítico ferrenho de Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro da Itália, morto no ano passado. Nos anos 1960, Pollini tocava gratuitamente em fábricas ou dava recitais para a elite americana nova-iorquina no Carnegie Hall.

Duas décadas depois, ele ganhou o Grammy na categoria melhor interpretação de música clássica, pelo disco "Bartók: Concertos para piano nº 1 e nº 2", com a Orquestra Sinfônica de Chicago. Em 1993, Pierre Boulez tentou definir Pollini em uma frase para a reportagem do The New York Times: "Ele não fala quase nada, mas pensa bastante", disse o maestro e compositor.

Maurizio Pollini deixa o filho, o também pianista Daniele Pollini, fruto do casamento com Marilisa Marzotto.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas