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Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura

Imortal da Academia Brasileira de Letras marcou o jornalismo brasileiro com obras como “1968 – O ano que não terminou” e “Cidade partida”

Vitória News 22/09/2026 10:46
Morre aos 95 anos o jornalista e escritor Zuenir Ventura
Foto: Reprodução

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Zuenir era um dos nomes mais reconhecidos do jornalismo brasileiro e construiu uma trajetória de mais de seis décadas marcada pela cobertura de acontecimentos políticos, sociais e culturais do país.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, ele morreu em decorrência de uma pneumonia.

Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir começou a trabalhar ainda jovem. Antes de ingressar no jornalismo, atuou como pintor, contínuo de banco, faxineiro e balconista.

A carreira na imprensa começou em 1956, inicialmente como arquivista. Ao longo das décadas seguintes, passou por importantes veículos de comunicação, entre eles Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo.

Além da atuação em redações, Zuenir se consolidou como escritor e autor de livros-reportagem que ajudaram a registrar momentos importantes da história recente do Brasil.

Uma de suas obras mais conhecidas é “1968 – O ano que não terminou”, lançada em 1988. O livro reconstrói acontecimentos políticos e culturais daquele período e tornou-se uma das principais referências sobre o ano marcado pelo endurecimento da ditadura militar no Brasil e por manifestações em diversas partes do mundo.

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A obra também serviu de inspiração para a minissérie “Anos Rebeldes”, exibida pela TV Globo.

Outro trabalho de destaque foi “Cidade partida”, publicado em 1994, no qual Zuenir abordou a violência urbana, a desigualdade social e a realidade das comunidades do Rio de Janeiro. O livro venceu o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.

A atuação de Zuenir também esteve ligada à cobertura de temas ambientais e de direitos humanos. Em 1989, ele produziu uma série de reportagens sobre o assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, no Acre.

O trabalho lhe rendeu os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog de Direitos Humanos e posteriormente deu origem ao livro “Chico Mendes – Crime e Castigo”.

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Em 2008, Zuenir recebeu uma homenagem especial das Nações Unidas por sua contribuição ao jornalismo e à defesa dos direitos humanos no Brasil.

O jornalista foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em outubro de 2014 e tomou posse em março de 2015. Ele ocupava a Cadeira nº 32, anteriormente pertencente ao escritor Ariano Suassuna.

Ao longo da carreira, também atuou como professor e participou da formação de gerações de jornalistas.

Zuenir completou 95 anos em junho deste ano. Meses antes de sua morte, sua trajetória havia sido novamente celebrada pela Academia Brasileira de Letras com a exibição do documentário “Mestre Zu”, dedicado à sua vida e obra.

O jornalista deixa a mulher, a jornalista Mary Ventura, dois filhos e netos.

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