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Mocidade Serrana transforma o colo em manifesto na avenida

Escola da Serra leva afeto, cuidado e ancestralidade como eixo do enredo para 2026

Vitória News 11/02/2026 11:55
Mocidade Serrana transforma o colo em manifesto na avenida
Foto: Léo Silveira/PMV

Fundada em 1980, no bairro José de Anchieta, na Serra, a Escola de Samba Mocidade Serrana retorna ao Carnaval capixaba reafirmando sua trajetória de resistência e reconstrução. Com as cores amarelo e roxo e a fênix como símbolo, a agremiação associa sua história à ideia de renascimento e continuidade.

A escola desfilou regularmente até 1992, quando os desfiles das agremiações capixabas foram interrompidos por cinco anos. Após o retorno do Carnaval em 1998, a Mocidade Serrana permaneceu afastada da avenida. A mobilização para reestruturação começou em 2013, quando integrantes e apoiadores iniciaram o processo de reorganização e pleitearam filiação à Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses).

Ao longo dos anos, a agremiação apresentou enredos ligados à identidade cultural e ao pertencimento comunitário. Para o Carnaval de 2026, sob a presidência de Marcelinho Simplicidade e com desenvolvimento do carnavalesco Edmilson Galdino, a escola apresenta o tema “Colo - Criação, Cuidado e Afeto”.

Enredo propõe reflexão sobre cuidado coletivo

A proposta parte da imagem do colo como primeiro espaço de existência humana. A escola utiliza essa simbologia para abordar proteção, pertencimento e continuidade da vida. O enredo amplia o conceito de criação para além do nascimento biológico, tratando o cuidado como prática coletiva e estruturante das relações sociais.

A narrativa dialoga com referências afro-brasileiras e indígenas, apresentando o cuidado como princípio civilizatório e o afeto como linguagem universal. A proposta também associa o tema a desafios contemporâneos, como desigualdade social e fragilidade de vínculos comunitários.

Ao levar o enredo para a avenida, a Mocidade Serrana apresenta o desfile como espaço simbólico de acolhimento, transformando o Carnaval em ambiente de reconstrução e escuta coletiva.

Sinopse do enredo

A sinopse evoca o colo como gesto ancestral de criação e proteção. O texto menciona a natureza como abrigo e referência à espiritualidade, além de destacar o cuidado como semente de transformação.

Os versos abordam a força do afeto, a esperança representada pela infância e a construção de uma nova era pautada por fraternidade e paz. O encerramento reafirma o compromisso da escola com a criação e o cuidado como missão coletiva, associando o samba à ideia de refúgio e pertencimento.

Do ventre o poder da criação.

É ancestral esse gesto profundo

 O colo ilumina o coração

Desde o início do mundo

Me embala em teus braços

Oh mãe natureza!

Meu porto seguro de rara beleza

 Cuidar, é a semente da revolução

É luta sem armas, coragem e Proteção

Um lindo poema ecoa no ar

Singela linguagem de amar

 

Ora yeyeo mamãe oxum

No seu axé eu quero me embalar

 É o fim da tristeza, o amor divinal

Renasce das cinzas o meu carnaval.

Floresce a fraternidade

A luz da humildade

No aconchego da alegria

A manifestação mais pura

O abrigo da ternura

 Berço da sabedoria

Criança esperança

É no meu peito o teu doce lar

 Em uma nova era

A humanidade espera

Um colo de paz pra sonhar

 

Batuque de bamba, serrana é paixão

 Criar e cuidar é a nossa missão

Terreiro de bamba, refúgio da vida

Me embala em teu colo

Mocidade Querida!

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