Fundada em 1980, no bairro José de Anchieta, na Serra, a Escola de Samba Mocidade Serrana retorna ao Carnaval capixaba reafirmando sua trajetória de resistência e reconstrução. Com as cores amarelo e roxo e a fênix como símbolo, a agremiação associa sua história à ideia de renascimento e continuidade.
A escola desfilou regularmente até 1992, quando os desfiles das agremiações capixabas foram interrompidos por cinco anos. Após o retorno do Carnaval em 1998, a Mocidade Serrana permaneceu afastada da avenida. A mobilização para reestruturação começou em 2013, quando integrantes e apoiadores iniciaram o processo de reorganização e pleitearam filiação à Liga Espírito-Santense das Escolas de Samba (Lieses).
Ao longo dos anos, a agremiação apresentou enredos ligados à identidade cultural e ao pertencimento comunitário. Para o Carnaval de 2026, sob a presidência de Marcelinho Simplicidade e com desenvolvimento do carnavalesco Edmilson Galdino, a escola apresenta o tema “Colo - Criação, Cuidado e Afeto”.
Enredo propõe reflexão sobre cuidado coletivo
A proposta parte da imagem do colo como primeiro espaço de existência humana. A escola utiliza essa simbologia para abordar proteção, pertencimento e continuidade da vida. O enredo amplia o conceito de criação para além do nascimento biológico, tratando o cuidado como prática coletiva e estruturante das relações sociais.
A narrativa dialoga com referências afro-brasileiras e indígenas, apresentando o cuidado como princípio civilizatório e o afeto como linguagem universal. A proposta também associa o tema a desafios contemporâneos, como desigualdade social e fragilidade de vínculos comunitários.
Ao levar o enredo para a avenida, a Mocidade Serrana apresenta o desfile como espaço simbólico de acolhimento, transformando o Carnaval em ambiente de reconstrução e escuta coletiva.
Sinopse do enredo
A sinopse evoca o colo como gesto ancestral de criação e proteção. O texto menciona a natureza como abrigo e referência à espiritualidade, além de destacar o cuidado como semente de transformação.
Os versos abordam a força do afeto, a esperança representada pela infância e a construção de uma nova era pautada por fraternidade e paz. O encerramento reafirma o compromisso da escola com a criação e o cuidado como missão coletiva, associando o samba à ideia de refúgio e pertencimento.
Do ventre o poder da criação.
É ancestral esse gesto profundo
O colo ilumina o coração
Desde o início do mundo
Me embala em teus braços
Oh mãe natureza!
Meu porto seguro de rara beleza
Cuidar, é a semente da revolução
É luta sem armas, coragem e Proteção
Um lindo poema ecoa no ar
Singela linguagem de amar
Ora yeyeo mamãe oxum
No seu axé eu quero me embalar
É o fim da tristeza, o amor divinal
Renasce das cinzas o meu carnaval.
Floresce a fraternidade
A luz da humildade
No aconchego da alegria
A manifestação mais pura
O abrigo da ternura
Berço da sabedoria
Criança esperança
É no meu peito o teu doce lar
Em uma nova era
A humanidade espera
Um colo de paz pra sonhar
Batuque de bamba, serrana é paixão
Criar e cuidar é a nossa missão
Terreiro de bamba, refúgio da vida
Me embala em teu colo
Mocidade Querida!