Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 08h57m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Ministro sugere cautela com origem dos destilados

FolhaPress 02/10/2025 14:44

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recomendou que consumidores não bebam destilados se não tiverem "absoluta certeza" da origem, em meio aos registros de casos de intoxicação por metanol.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O QUE SÃO BEBIDAS DESTILADAS

Bebidas destiladas passam por um segundo processo, além da fermentação: a destilação. O mosto (líquido açucarado que fermenta para gerar álcool, como o suco da uva ou o caldo da cana) é aquecido, vapores alcoólicos são coletados e condensados, elevando a graduação alcoólica.

Cachaça, uísque, vodca e gim são exemplos típicos. Pela legislação brasileira, a cachaça deve ter entre 38% e 48% de álcool v/v, enquanto a aguardente de cana pode chegar a 54% v/v (volume por volume, que indica a proporção de etanol em relação ao volume total da bebida).

SESC PICASSO

A destilação precisa descartar as frações que acumulam substâncias tóxicas como o metanol. Pesquisa do Instituto Adolfo Lutz mostra que o processo separa três partes: a "cabeça", fração inicial rica em compostos voláteis perigosos; o "coração", parte intermediária segura para consumo; e a "cauda", que concentra resíduos indesejáveis do final.

A ausência de controle técnico na destilação favorece a presença de metanol em níveis tóxicos. Artigo da Brazilian Journal of Food Technology aponta que também podem se acumular outras substâncias prejudiciais, como aldeídos, álcoois superiores e furfural.

Já as bebidas fermentadas são produzidas somente pela ação de leveduras sobre açúcares. O processo converte carboidratos em álcool e gás carbônico, resultando em produtos com teor alcoólico relativamente baixo, geralmente entre 4% e 15% v/v. Exemplos mais conhecidos são a cerveja, o vinho e a sidra.

CONTADOR - BONUS

Algumas bebidas combinam fermentação e destilação. É o caso dos vinhos fortificados, como o do Porto, que recebem adição de destilados, e dos licores, que misturam destilados a xaropes ou extratos.

POR QUE O RISCO DO METANOL É MAIOR NOS DESTILADOS

A adulteração com metanol ocorre quase sempre em destilados ilegais ou falsificados. Isso porque a destilação incorreta ou fraudulenta pode concentrar metanol em níveis letais, sem alteração de cor ou sabor perceptível.

O metanol é altamente tóxico. Segundo o CDCs dos EUA (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), 10 ml podem causar cegueira e 30 ml podem ser fatais. A Organização Mundial da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde também documentam surtos em países como Índia, Irã e Indonésia, sempre ligados a destilados clandestinos.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Fermentados, por outro lado, não passam pelo processo de fracionamento. Neles, o risco de metanol é praticamente inexistente, salvo em casos raros de produção clandestina com aditivos ilegais.

COMO O CONSUMIDOR PODE SE PROTEGER

Verificar rótulos, lacres e procedência é a principal medida de segurança. Produtos sem registro, vendidos a preços muito abaixo do mercado ou fora dos padrões de embalagem devem ser considerados suspeitos.

Não há como identificar o metanol na bebida. Geralmente a substância não apresenta diferença de sabor ou cor. Ele é muito semelhante ao etanol usado em bebidas alcoólicas. Só se descobre que é metanol pelos sintomas e após exames clínicos.

Procon de São Paulo orienta procurar o Disque-intoxicação. O número 0800 722 6001 dá orientação clinica e toxicológica.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas