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Minissérie sobre Scorsese se vê com prazer, mas tem falhas

FolhaPress 16/10/2025 15:40

(FOLHAPRESS) - "O Lendário Martin Scorsese", minissérie em cinco capítulos de Rebecca Miller, um filme-retrato, como define a realizadora, é exatamente o que se esperava dele. Uma obra a que assistimos com facilidade e prazer, mas sem um envolvimento intelectual maior e raras empolgações que venham por opções atuais, não por trechos dos filmes antigos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Parte de uma entrevista atual com Scorsese, um dos grandes cineastas do cinema americano moderno. Segue uma cronologia linear dos eventos, intercalando detalhes sobre sua vida e imagens que fornecem uma espécie de making of.

O acesso aparentemente irrestrito às imagens de arquivo dá um ar oficioso à minissérie. Vemos muito de Scorsese, de seus filmes, seus atores e atrizes e dos amigos que o acompanham há muito tempo.

Acompanhamos os principais momentos de sua vida e carreira. A dureza do entorno em que cresceu, a relação com os pais e o irmão, o fracasso de "New York, New York", a temporada de drogas com Robbie Robertson, "a morte e a ressurreição", a competitividade com Brian De Palma, que se impressionou com mais uma obra-prima de Scorsese, "Touro Indomável", depois de "Taxi Driver".

SESC PICASSO

Ainda vemos a maré baixa da primeira metade dos anos 1980, a chegada de um novo agente que mudou sua carreira, uma nova crise no final dos anos 1990, os diferentes casamentos -Laraine Brennan, Julia Cameron, Isabella Rossellini, Barbara De Fina, Helen Morris- e as filhas com três das esposas, entre muitos outros eventos.

Tirando uma ou outra jogada com o tempo, como nas derrotas do Oscar, o filme segue bem de perto, e de modo didático, uma linha do tempo que permite entendermos bem o percurso do diretor.

Nesse aspecto, "O Lendário Martin Scorsese" tem coisas, digamos, estranhas. No final do primeiro episódio, ficamos sabendo que alguém tramou de apresentá-lo a Robert De Niro, dando a entender que Scorsese não sabia de quem se tratava. Como, se De Niro já tinha feito três longas com o grande amigo Brian De Palma, dois deles em papéis de destaque?

CONTADOR - BONUS

O próprio ator só se lembra de dois, mas essa é uma falha compreensível, de memória, como outras espalhadas pelo retrato. No primeiro desses filmes, "Festa de Casamento", mal reconhecemos o De Niro de "Taxi Driver". Parecia outra pessoa, bem diferente da que aparece nos filmes de Scorsese.

Já Rebecca Miller poderia pensar em alguma maneira de informar melhor o público. Num tipo de documentário como esse, um certo didatismo não é essencial, mas é enriquecedor. Ainda mais porque o espectador vai notar a semelhança com "Viagem Pessoal pelo Cinema Americano", o documentário clássico de Scorsese, e este tem no didatismo o seu ponto forte.

Há momentos curiosos, como Jean-Luc Godard elogiando bastante "Alice Não Mora Mais Aqui", o filme menos godardiano que Scorsese havia realizado até então. Ou os depoimentos de Spike Lee e Steven Spielberg, ambos abismados com o talento do amigo.

É curioso também como é montada a sequência, do quinto episódio, dos Oscar de melhor direção perdidos para diretores como Barry Levinson, de "Rain Man", Kevin Costner, de "Dança com Lobos", e Clint Eastwood, de "Menina de Ouro".

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Este último venceu enquanto Scorsese concorria por "O Aviador". Pois é justamente nesse momento que ouvimos personagens dizendo que as características dos filmes de Scorsese inibiam os votantes por seu caráter artístico, ambíguo, que não entrega as coisas que o espectador quer ver.

Bom, desta vez Scorsese concorria por um filme menor do que das outras vezes. "A Última Tentação de Cristo" e "Os Bons Companheiros" mereciam muito mais um Oscar de melhor direção do que "O Aviador". Além disso, "Menina de Ouro" é sublime, merecendo ainda mais as palavras que reservaram ao filme de Scorsese. Talvez tenha sido a última vitória justa da história do Oscar.

Depois de muito trânsito, ida e volta, entre vida particular e trabalho, a minissérie reserva, nos últimos 20 minutos do quinto episódio, momentos muito tristes com a atual esposa do autor. Tem coerência com tudo que foi mostrado e é mais um traço do retrato feito com carinho por Rebecca Miller.

O LENDÁRIO MARTIN SCORSESE

Avaliação Bom

Quando Estreia nesta sexta

Onde Apple TV+

Produção EUA, 2025

Direção Rebecca Miller

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