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Milton Leite é alvo de operação que apura infiltração do PCC no transporte público de São Paulo

Estadão Conteúdo 17/09/2026 08:39
Milton Leite é alvo de operação que apura infiltração do PCC no transporte público de São Paulo
Foto: Reprodução/Youtube/Câmara Municipal de São Paulo

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), de 67 anos, é um dos alvos do pedido de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17, pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Por meio de comunicado, Leite disse que está viajando, mas irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. "Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações."

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou a Câmara ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Mesmo sem mandato, continuou atuando e tendo influência na política.

Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.

A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Casa até 2024.

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Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e novamente de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões.

Ao deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual. Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado a atuação política da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho, buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.

Operação Fim da Linha

O nome de Leite já havia aparecido em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024.

A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

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Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar apontou possíveis conexões entre Leite e policiais presos por atuar na segurança de dirigentes da Transwolff. Uma mensagem enviada pelo sargento da reserva Nereu Aparecido Alves a um diretor da empresa fazia referência ao ex-vereador como "chefe Milton". A investigação também citou possíveis relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a companhia.

Leite negou conhecer Nereu e afirmou que o policial nunca fez parte de sua escolta. A Câmara Municipal afirmou que o capitão Alexandre Paulino Vieira, citado nas investigações como responsável por organizar a segurança dos empresários, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar da Casa durante gestões de diferentes presidentes.

Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares sob acusação de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança de dirigentes, familiares e instalações da Transwolff. Segundo a denúncia, Alexandre Paulino Vieira era o principal elo do grupo. O documento não apontou a participação de Leite no esquema.

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Posicionamento da Prefeitura de São Paulo

Conforme a gestão do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), a intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. "Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada", disse por meio de nota.

A Prefeitura reforça ainda que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

"A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários", disse a Prefeitura de São Paulo.

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