Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 09h28m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Mesa de conciliação sobre marco temporal no STF tem acusado de estupro e ex-alvo da PF

FolhaPress 04/10/2024 09:06

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dentre defensores do marco temporal na mesa de conciliação do STF (Supremo Tribunal Federal), há um advogado que chegou a ser alvo da Polícia Federal por interferência no processo legislativo e um homem acusado de estupro de vulnerável e maus tratos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O movimento indígena se retirou do processo, sob críticas de racismo institucional e inconstitucionalidade.

Conduzida pelo ministro Gilmar Mendes, a mesa de conciliação envolve integrantes do governo federal, parlamentares e representantes do agronegócio.

Um ex-AGU (advogado-geral da União) da gestão da ex-presidente Dilma Rousseff e também defensor do marco temporal é outro a compor a mesa.

O processo foi aberto em razão da aprovação da lei do marco temporal pelo Congresso Nacional.

Ações no Supremo tanto questionam a constitucionalidade da lei quanto a defendem.

Gilmar, então, resolveu sustar todos esses atos e criar a mesa, enquanto manteve a legislação vigente. Essa decisão foi criticada pelo movimento indígena, que queria que ela fosse suspensa até uma solução proposta pelo grupo.

SESC PICASSO

O marco temporal é a tese, defendida pelos ruralistas, de que devem ser demarcadas como terras indígenas apenas aquelas ocupadas pelos povos na data da promulgação da Constituição de 1988.

Juristas e ativistas ligados ao tema discordam e alegam que, segundo a Carta Magna, o direito indígena à terra é originário e, portanto, anterior ao próprio Estado brasileiro.

Em 2023, o próprio Supremo julgou a tese e a derrubou, mas posteriormente o Congresso aprovou a lei, e agora o tema voltou à Corte.

Pelo decorrer das negociações até agora, a tendência é que seja estabelecido um acordo que envolva o pagamento de indenização aos proprietários que tenham suas terras transformadas em território indígena.

Recentemente o próprio Supremo selou um acordo, entre União e ruralistas, de indenização para a demarcação de um território guarani kaiowá, no Mato Grosso do Sul, onde um indígena foi morto com um tiro na cabeça neste ano.

CONTADOR - BONUS

Um dos defensores da tese do marco temporal na mesa de conciliação é Rafael Wedero o Wa Were, indígena xavante e representante do PDT.

Were é réu por estupro de vulnerável de e de maus tratos contra duas pessoas menores de 18 anos.

Procurado pela reportagem, ele negou, disse ser alvo de racismo e que anteriormente também já foi acusado de violência doméstica, sem provas. "Toda essa história é apenas vingança", afirmou.

O Ministério Público do Distrito Federal já ofereceu denúncia à Justiça, que a recebeu em fevereiro deste ano.

De acordo com o relato, os episódios de estupro teriam acontecido entre 2017 e 2021, mas só em 2023 a criança teria os relatado à mãe. Então, foi feito boletim de ocorrência na Polícia Civil. Os episódios de maus tratos teriam continuado até 2023.

O partido preferiu não comentar o caso.

Outro defensor do marco temporal é Rudy Ferraz, diretor jurídico da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária). "Considero um importante mecanismo para compatibilização dos direitos constitucionais envolvidos para a garantia da estabilidade social", disse à reportagem.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Ele chegou a ser alvo do Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso em 2014, após a Polícia Federal interceptar uma ligação de um produtor rural dizendo que havia pagado R$ 30 mil a Ferraz para que ele produzisse o relatório de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

A proposta em questão era a PEC 15, que passa o poder de demarcação de terras indígenas para o Congresso. O caso chegou ao STF, mas foi arquivado.

Questionado sobre a investigação do Ministério público, Ferraz disse apenas que o caso foi arquivado.

Outro dos defensores do marco temporal é Luis Inácio Adams, que foi Advogado-Geral da União do governo Dilma.

Em 2013, ele publicou uma portaria que fez com que o marco temporal e o acordo sobre exploração de terras indígenas de Raposa Serra do Sol passassem a valer para todos os territórios —na prática, instituindo a tese em nível nacional, e não apenas para o caso em questão.

A medida depois foi derrubada. Ele foi procurado pela reportagem, mas não respondeu.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas