Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 12h33m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

'Mercado paralelo' de bags abre brecha para crimes de falsos entregadores

FolhaPress 19/08/2025 11:59

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Basta uma busca rápida nos sites de venda para encontrar bags, como são conhecidas as mochilas utilizadas por entregadores de delivery, com estampas falsas do iFood e do 99Food, dois dos maiores serviços de entrega do Brasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Essas bags irregulares incentivam crimes de falsos entregadores, diz estudioso. "A utilização de bags com logos de marcas por parte de criminosos facilita o cometimento do crime. Desencorajar essa venda não autorizada dificultaria o disfarce", afirma Alan Fernandes, mestre em ciências policiais de segurança e consultor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

UOL encontrou anúncios online com valores entre R$ 35 e R$ 134. Os itens, que variam entre a capa ou a capa com o isopor, estão disponíveis no Mercado Livre e na Shopee.

Bags falsas também são encontradas em lojas físicas de São Paulo. "Tem problema eu mandar fazer a estampa? Eu não teria que comprar diretamente com a empresa?", questionou a reportagem à vendedora de um dos estabelecimentos. "Não tem problema nenhum. A gente tem uma parceria com uma gráfica", respondeu a atendente.

SESC PICASSO

Uso de mochila oficial não é obrigatória no iFood, mas empresa vende a mochila por R$ 170 para entregadores cadastrados. O item também é distribuído em eventos oficiais.

Essas bags originais contam com QR Code e selo de autenticidade. No entanto, as sinalizações servem somente para indicar que o produto é original. Não há informações sobre quem realizou a compra ou está usando a mochila no momento, esclareceu o iFood ao UOL.

99Food presenteia alguns entregadores com a bag. O produto não é comercializado, nem há obrigação de uso. "Caso identifique venda de produtos falsificados, a empresa pode notificar, pedir a remoção de estampas irregulares e até mover ações na Justiça para proteger seus direitos de propriedade intelectual", afirmou a empresa.

*

FISCALIZAÇÃO

Polícia Civil de SP apreendeu mais de 41 milhões de produtos falsificados desde 2023, segundo SSP-SP. A corporação diz que conduz investigações em todo o estado contra crimes patrimoniais, incluindo os praticados por falsos entregadores.

CONTADOR - BONUS

Secretaria de Segurança Urbana não se posiciona. O UOL entrou em contato com a pasta da capital paulista para posicionamento sobre o comércio irregular, mas não obteve resposta.

Há falta de controle na fiscalização dessas bags, diz investigador. "Essas empresas de delivery são marcas que nós aprendemos a confiar, a respeitar. Por isso, esses golpes funcionam", analisa, sob anonimato.

Mercado Livre adota medidas para combater comércio irregular na plataforma, diz empresa. Entre as iniciativas, a companhia cita uma ferramenta que permite que marcas denunciem violações à propriedade intelectual. Procurada, a Shopee não respondeu ao pedido de posicionamento.

LEIS TENTAM COIBIR CRIMES

Leis em regulamentação no Rio de Janeiro e em São Paulo tentam dificultar esse tipo de crime. No entanto, especialistas ouvidos pelo UOL analisam com cautela a suposta eficiência dessas medidas.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Em São Paulo, a lei foi sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em maio e está em regulamentação. Um dos trechos do texto diz que a mochila, baú ou outro item utilizado na entrega deverá ter um QR code e um chip para comprovar a relação entre o entregador e a empresa. Os serviços de entrega terão que disponibilizar um cadastro dos prestadores.

Já a lei sancionada pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), diz respeito apenas às entregas intermediadas por plataformas digitais. O texto permite que apenas plataformas digitais autorizadas forneçam as bags, que deverão ser distribuídas aos entregadores gratuitamente. As bolsas também terão uma identificação do prestador de serviço, e as empresas vão manter um registro atualizado dos equipamentos entregues a cada colaborador.

No início do mês, um casal que passeava com um bebê foi assaltado por um falso entregador na zona oeste de São Paulo. Em junho, o delegado Josenildo Belarmino foi morto na zona sul após ser baleado por um falso entregador.

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas