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Medo como ferramenta política: novo livro de Roberto Junquilho analisa as engrenagens da extrema-direita no Brasil

Vitória News 21/06/2025 07:53
Em um tempo marcado pela polarização, desinformação e crescimento da extrema-direita no Brasil e no mundo, a fé e o medo tornaram-se instrumentos de manipulação em escala política. É sob essa lente que o jornalista e escritor Roberto Junquilho lançou “A fé e o medo, armas da sedução fascista”, dia 18 de junho, na livraria Torre de Papel, na Praia do Canto, em Vitória. O evento marcou o lançamento de uma obra contundente, mas também o reencontro de leitores com uma análise lúcida e incisiva sobre os caminhos que levaram o país a um dos períodos mais turbulentos de sua história recente. No dia seguinte, 19 de junho, a obra foi apresentada na 27ª Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba (Conasol), realizada na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras. O evento, que reuniu pensadores, ativistas e pesquisadores de todo o país, foi o palco ideal para o debate dos temas tratados no livro, que perpassam religião, autoritarismo, mídia e neoliberalismo. Com 160 páginas e 16 textos que percorrem quase uma década da vida política brasileira, Junquilho constrói uma narrativa que começa no golpe parlamentar de 2016, responsável pela deposição da presidenta Dilma Rousseff, e segue até os anos do governo Bolsonaro, marcado por ataques à democracia, radicalização ideológica, destruição de políticas públicas e entreguismo das riquezas nacionais. A obra traz uma crítica contundente ao papel de setores religiosos na sustentação do projeto político da extrema-direita, e denuncia a manipulação de sentimentos profundos — como a fé e o medo — para alimentar discursos de ódio, intolerância e submissão. Junquilho, conhecido por sua trajetória no jornalismo e por sua produção crítica nos campos da política e da cultura, adota uma escrita direta, sem eufemismos. Com bom humor e ironia pontual, o autor busca desmistificar os jargões utilizados pela nova direita brasileira, desnudando as narrativas manipuladas que permearam o discurso político desde 2016. O título do livro já antecipa o fio condutor da obra: a instrumentalização de emoções humanas básicas como alicerce do fascismo moderno. Junquilho detalha como líderes políticos e religiosos constroem narrativas de medo — da criminalidade, do “comunismo”, da “destruição da família”, entre outras — para justificar retrocessos em nome da “segurança” e da “moralidade”. Paralelamente, a fé religiosa — em especial a vertente neopentecostal — é retratada como elemento fundamental para consolidar um projeto de poder sustentado em promessas de salvação espiritual e prosperidade, muitas vezes em troca de votos e submissão política. O autor destaca a atuação das chamadas “bancadas do boi, da bala e da bíblia”, cujos representantes protagonizaram votações decisivas no Congresso Nacional e contribuíram para moldar um país mais desigual, mais autoritário e menos democrático. Junquilho também aponta o papel da mídia hegemônica como cúmplice do processo, especialmente no período que antecedeu o impeachment de Dilma Rousseff, quando setores da imprensa abandonaram o jornalismo para aderir ao ativismo político disfarçado de neutralidade. Essa cobertura seletiva e parcial teria contribuído para minar a legitimidade de governos progressistas e abrir caminho para o avanço de pautas ultraconservadoras. “A fé e o medo, armas da sedução fascista” é editado pela Leão Agência WEB e conta com capa assinada por George Junquilho, filho do autor. A impressão ficou a cargo da Conhecimento Editorial, empresa de São Paulo.
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