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MEC defende merenda escolar fora dos limites do arcabouço fiscal

FolhaPress 19/09/2025 20:24

FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) - A presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão ligado ao MEC (Ministério da Educação), Fernanda Pacobahyba, defendeu que o programa de alimentação escolar seja retirado do limite para gastos do governo federal previsto pelo arcabouço fiscal.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Esse dispositivo define regras para manter as despesas do governo federal abaixo das receitas a cada ano. Mesmo se houver sobra de recursos, eles só podem ser usados em investimentos, na tentativa de equilibrar a dívida pública.

A regra, no entanto, impede o reajuste anual dos valores destinados pela União para as refeições escolares.

Em entrevista nesta sexta-feira (19), durante a 2ª Cúpula Global da Coalizão para Alimentação Escolar, Pacobahyba ressaltou que a merenda escolar tem uma dinâmica específica, já que os custos variam de acordo com a inflação dos alimentos.

A última vez que o valor pago por refeição escolar foi alterado foi em 2023, em uma das primeiras ações do governo Lula. O valor foi reajustado em 39% —a União repassa aos estados e municípios R$ 0,50 por dia para cada estudante do ensino fundamental e médio.

SESC PICASSO

O aumento dos valores para a alimentação escolar foi uma das principais promessas de campanha de Lula, em 2022, como uma das formas de enfrentamento à fome no Brasil. No entanto, desde 2023 com as regras de controle de gastos, o repasse não foi mais reajustado.

"Nós somos muito favoráveis [a tirar a merenda escolar do arcabouço fiscal], temos notas técnicas que mostram essa necessidade. Agora, nós vivemos em um contexto orçamentário que é de intensa disputa", disse a presidente do FNDE, órgão que é responsável pelos repasses do programa de alimentação escolar.

"Nós acreditamos que esse reajuste é necessário e vamos disputar isso no Congresso Nacional", completou.

CONTADOR - BONUS

O Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) financia a entrega de 50 milhões de refeições diárias para 40 milhões de estudantes de 155 mil escolas públicas de todo o país. Em 2024, o orçamento do programa foi de R$ 5,5 bilhões.

Pacobahyba lembrou que o programa foi uma das ações do governo federal determinantes para retirar o país do Mapa da Fome pela segunda vez em julho deste ano.

"Essa é uma política essencial para o nosso país. É um programa que garante segurança alimentar, que ajuda na transferência de renda para mercados locais e, sobretudo, garante que nossas crianças e adolescentes estejam alimentados e nutridos para poder estudar."

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