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MC negra acusa agentes da CPTM de agressão em trem em SP

FolhaPress 12/03/2024 19:39

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Conhecida como "rimadora de vagão", a MC Kisha, 20, acusa agentes da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) de agressão a ela e a um grupo de amigas na estação da Luz. Segundo a artista, ela e as outras MCs, todas negras, foram retiradas com agressividade de um trem da linha 7-rubi ao voltarem de uma batalha de rimas na zona sul de São Paulo, na noite do último domingo (10).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Em relatos nas redes sociais, Kisha contou que faziam rimas improvisadas no vagão, sem passar "caixinha", e seguranças pediram para que parassem. As jovens então teriam começado a debater racismo e causas sociais e acabaram retiradas do trem após uma discussão com os seguranças.

Segundo a MC, uma agente chegou a arrancar suas tranças pela raiz, deixando uma falha no couro cabeludo.

"Eu tô cansada. Dessa vez eu estava acompanhada. E quantas vezes eu passei por isso sozinha? Pelo amor de Deus, deixem a gente em paz", escreveu após o ocorrido. "Meu coração tá partido. Demorou muito tempo para eu conseguir fazer o meu cabelo".

Kisha conseguiu apoio jurídico para encaminhar o caso ao Ministério Público. Na segunda-feira (11) ela foi ao IML (Instituto Médico Legal) para fazer exame de corpo de delito.

SESC PICASSO

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) encaminhou ofícios à CPTM e ao governo de São Paulo afirmando que o grupo foi retirado com violência do vagão. No documento a parlamentar pede que o caso seja investigado com celeridade e que a CPTM adote medidas de combate à violência, ao racismo e à discriminação em seus espaços.

"Sabemos que toda essa truculência é reservada apenas a uma parcela da nossa sociedade: a parcela negra. E isso se evidencia quando uma MC tem suas tranças arrancadas por estar rimando com suas amigas", afirmou.

CONTADOR - BONUS

Procurada, a CPTM afirma que o grupo tumultuou a viagem dos demais passageiros e que uma vigilante foi agredida por uma das mulheres após a ordem para que desembarcassem do trem. Diz, ainda, que vai apurar a abordagem às jovens e que está à disposição das autoridades.

Ainda de acordo com a companhia, o grupo foi retirado do trem e encaminhado ao 2º DP (Bom Retiro).

"A companhia reitera que não tolera nenhum tipo de violência nos trens e estações, seja por parte de seus colaboradores ou passageiros que utilizam o sistema. Caso seja constatada irregularidade na atuação da equipe de segurança, serão adotadas medidas administrativas", diz nota oficial da CPTM.

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