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Marina pede que Senado atue contra ataques em sessão, e diz estudar medidas judiciais

FolhaPress 29/05/2025 12:59

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, classificou como inaceitáveis os ataques considerados misóginos que sofreu no Senado, na última terça (28), e disse que tomará atitudes no "momento oportuno".

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Marina se retirou de uma sessão da Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado na última terça-feira (27), após, em meio a bate-boca com senadores, ouvir do líder do PSDB, senador Plínio Valério (AM), que ela não merecia respeito como ministra.

"Os mecanismos de autocorreção precisam ser acionados, porque não é só uma questão daquele indivíduo que está desonrando o seu mandato e os seus eleitores, mas toda a Casa está sendo ali vituperada. É inaceitável para uma instituição, qualquer que seja ela, ainda mais o Senado da República", afirmou à Folha de S.Paulo.

"Meus advogados já estavam trabalhando desde a primeira agressão do senador Plinio [Valério]. Recebi também a solidariedade do Ministro [Jorge] Messias, da Advocacia-Geral da União", completou.

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Plínio Valério havia dito, em outra sessão, que tinha desejado enforcá-la. Marina exigiu desculpas e deixou a reunião após o parlamentar se recusar a fazê-lo.

A discussão na comissão ficou mais tensa quando o senador Omar Aziz (PSD-AM) defendeu a pavimentação do polêmico trecho da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e é criticada por ambientalistas por ser um vetor de desmatamento. Aziz integra a base do governo Lula (PT) no Congresso.

Ainda durante a sessão, o presidente da comissão, Marcos Rogério (PL-RO), afirmou que Marina devia "se pôr em seu lugar", provocando protestos da senadora Eliziane Gama (PSD-MA).

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Além de Eliziane, o líder do PT, Rogério Carvalho (SE), também interveio a favor da ministra, mas a base do governo não demonstrou uma ação efetiva para blindá-la —apesar de já haver a expectativa de que o encontro seria tumultuado e da agressão anterior a contra Marina.

O embate aconteceu poucos dias após o Senado aprovar o projeto que flexibiliza o licenciamento ambiental com impulso do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e com apoio de parte do governo Lula.

O projeto foi apelidado por ambientalistas de "mãe de todas as boiadas" e "PL da Devastação".

A proposta enxuga instrumentos de consulta, pode impulsionar atividades de risco —como a exploração de Foz do Amazonas, a mineração, empreendimentos infraestrutura, e a BR-319— e deixar sem proteção contra desmatamento quase 20 milhões de hectares possivelmente impactados pelo Novo PAC.

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Após os ataques sofridos, Marina recebeu apoio em série de parte da base do governo, sobretudo de parlamentares e ministras mulheres e do PT.

Lula ligou para ela, após o incidente, para defender a atitude de sua ministra, e a primeira-dama Janja também prestou solidariedade a ela publicamente.

"Não fui convidada por ser mulher. Fui convidada como ministra. Como convidada dei a chance de ele pedir desculpas, e aí permaneceria na reunião. Como pessoas que não respeitam a democracia, as mulheres, os indígenas, o povo preto, não são afeitas a pedir desculpas, ele disse que não ia se desculpar, e obviamente que me tirei da audiência", disse ela, após o episódio.

"O que não pode é alguém achar que, porque você é mulher preta, vem de trajetória de vida humilde, que você vai dizer quem eu sou e dizer que devo ficar no meu lugar. Meu lugar é onde todas as mulheres devem estar", afirmou.

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