Quarta-feira, 16 de Setembro de 2026 | 11h36m
Vitória News — Um jornal de verdade
Geral

Manga desviava de saúde, transporte, lixo e segurança e liderava esquema, diz PF

FolhaPress 13/11/2025 11:33

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A investigação que levou o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) a afastar Rodrigo Manga (Republicanos) da Prefeitura de Sorocaba (SP) diz que o mandatário lidera uma "extensa e complexa estrutura criminosa com o objetivo de enriquecer ilicitamente às custas da administração pública mediante atos de corrupção". Ele nega.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O grupo, segundo a PF (Polícia Federal), é responsável por desvios milionários em contratos de saúde, transporte público, coleta de lixo, serviços de engenharia e também de vigilância patrimonial.

A defesa de Manga disse à Folha de S.Paulo que a operação é nula, fruto de perseguição política, e que a Justiça Federal não é competente para julgar o caso. Em nota, afirma ser "indiscutivelmente temerário o afastamento do prefeito baseado em ilações sobre supostas irregularidades investigadas".

"Os supostos fatos remontam ao ano de 2021, o que demonstra ausência de qualquer contemporaneidade capaz de colocar em risco a continuidade do exercício do legítimo mandato do chefe do Executivo. Mandato este, inclusive, conquistado nas urnas, de forma legítima e maciça", continuou.

A decisão que determinou o afastamento do mandatário também o proibiu de conversar com servidores públicos e decretou, além disso, a prisão preventiva de três pessoas apontadas como operadoras do suposto esquema.

SESC PICASSO

Duas delas são amigas pessoais de Manga: o empresário Marcos Mott e o pastor evangélico Josivaldo de Souza. A defesa de Mott afirma que a prisão é desnecessária e se baseia em conjecturas e suposições. A Folha de S.Paulo ligou e deixou recado para o advogado que representa o pastor, mas não obteve retorno.

A terceira, por sua vez, chama-se Simone Frate de Souza. Ela é cunhada do prefeito afastado e a esposa de Josivaldo. Está foragida desde o dia da operação, na quinta passada (6). Segundo a PF, Simone e o pastor Josivaldo atuavam também para lavar o dinheiro desviado da administração municipal.

Da saúde, diz a PF, os desvios eram originados na organização social Iase (Instituto de Atenção à Saúde e Educação), contratada pela gestão Manga para gerenciar unidades de saúde em Sorocaba.

A investigação afirma que a entidade subcontratava empresas de fachada para justificar despesas superfaturadas. Os valores eram posteriormente sacados e entregues a integrantes do esquema.

Em nota, o Iase afirmou estar "certo de que será comprovada a inexistência de práticas ilegais no curso da relação contratual mantida com Sorocaba, não havendo assim elementos que justifiquem nova ação cautelar em seu desfavor".

CONTADOR - BONUS

"O Iase não foi alvo de medidas judiciais na atual deflagração da operação, o que corrobora que, no curso das investigações, não foram detectadas irregularidades em sua atividade institucional", disse.

A origem das propinas, diz a PF, estava registrada de forma cifrada em planilhas encontradas com a cunhada de Manga, foragida, e o pastor Josivaldo, preso, às quais a corporação se refere como itens de contabilidade paralela da organização criminosa.

Nessas planilhas havia menção aos pagadores.

Em uma das tabelas havia menção a "City". Segundo as investigações, o termo apareceu 11 vezes num intervalo de tempo de apenas quatro meses com valores que, somados, chegam a R$ 1,7 milhão --o contrato, por sua vez, já passou de R$ 1 bilhão. A Folha de S.Paulo procurou a concessionária nesta quarta-feira (12), mas não obteve retorno.

Em outra frente havia o termo "lx", que segundo a PF é uma anotação cifrada para o contrato de coleta de lixo no município. A corporação vê indícios de que R$ 2,8 milhões do contrato de coleta tenham sido desviados.

As suspeitas atingem ainda uma empresa de engenharia contratada pelo Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Sorocaba e uma prestadora de serviço voltado a vigilância patrimonial de prédios da autarquia de saneamento básico.

Anuncio - Raimundo - Bonus

Além dos apontamentos de propina, a PF diz também que Manga atua para descredibilizar a operação desde que foi alvo da primeira operação, em abril deste ano.

Na época ele gravou vídeo e promoveu, segundo a corporação, "um bizarro espetáculo de deboche e desdém que rapidamente ganhou repercussão nacional".

A investigação diz que Manga zomba "audaciosa e desavergonhadamente dos órgãos responsáveis pela persecução penal" e ainda explora isso economicamente.

A PF descobriu mensagens, por exemplo, em que a mulher do prefeito afastado, Sirlange, discute como monetizar vídeos no TikTok em que Manga se diz vítima de perseguição. Em um dos trechos, Manga diz que a medida tornaria a repercussão do vídeo menor. "Mas traz dinheiro", disse a esposa.

Em nota, a defesa de Sirlange afirmou que "todas as operações financeiras mencionadas na investigação são lícitas, corroboradas por documentação e devidamente declaradas ao imposto de renda".

Disse também que Sirlange não foi intimada a prestar depoimento, mas que já demonstrou às autoridades "a licitude e regularidade de todas as operações financeiras e de todos os serviços prestados".

Compartilhe esta notícia

Notícias Relacionadas