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Majur manda notícias de Berlim em meio a turnê europeia com músicas em Iorubá

FolhaPress 16/06/2025 16:07

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ao completar seis anos de carreira, Majur, 29, topou fazer uma turnê de um mês por cidades da Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Espanha, Inglaterra e França, apresentando músicas do recém-lançado álbum "Gira Mundo", com 16 faixas em iorubá.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

São cantigas para os orixás do candomblé, sua religião. "Acredito que eles não entendam muito bem as letras, mas sentem no coração a mensagem", diz. "Estou em êxtase", comemora a cantora, que falou por telefone à reportagem, direto de Berlim.

Acompanhada por banda e bailarinos, Majur conta que se surpreende com o estranhamento -e o encantamento- dos europeus ao vê-la no palco (ela tem 1,93 m de altura). "Sou bem alta, né? Isso ajuda, mas acho que eles adoram mesmo é a cabeça de palha que uso nos shows, que faz referência à cultura africana e também ao artesanato brasileiro. Enfim. O figurino, a percussão, a imagem, o som... tudo ali é real. Eu sou real", explica a cantora baiana.

SESC PICASSO

Majur também percebeu a diferença de como é vista na Europa, em relação ao Brasil. E elas são muitas. Para a artista, o pessoal lá (pelo menos o público de seus shows) é mais aberto a novidades. "Eles sentem que eu sou diferente -lógico, eu sou diferente-, mas é um lugar de experiência. Eles pensam: 'Eu vou descobrir o que é aquilo, quero ver e sentir o que é'."

Outra percepção: "Eles não têm o que o Brasil tem: a crítica. Eles não olham e criticam. Eles olham e querem saber. São curiosos, e sinto que é um público que vou ter para sempre."

CONTADOR - BONUS

Para Majur, a turnê pela Europa acontecer justamente no Mês do Orgulho LGBTQIA+ é também uma conquista. "Já me subestimaram bastante, e estar aqui foi um mérito meu. Tenho total consciência do quanto trabalhei para chegar até aqui, e é muito difícil viver no Brasil, viver de música no Brasil e ser uma artista trans".

Ela não esconde um certo desgosto com a falta de incentivo no país em que nasceu. "Tenho certeza de que algumas pessoas poderiam ter feito -e ainda podem fazer- muito mais por mim. Tudo bem, elas escolheram não fazer. Mas eu não posso parar. Não estou mais preocupada com o que as pessoas vão achar sobre o que eu estou fazendo. Eu preciso fazer o que o meu coração está dizendo", conclui.

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