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Mais de 335 mil brasileiros vivem em situação de rua, aponta levantamento da UFMG

Vitória News 19/04/2025 07:04

O número de pessoas vivendo em situação de rua no Brasil ultrapassou a marca de 335 mil em março de 2025, segundo dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O crescimento foi registrado no informe técnico de abril do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta segunda-feira (14).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

De acordo com o levantamento, o país contabilizou 335.151 pessoas em situação de rua em março — um aumento de 0,37% em relação a dezembro de 2024, quando eram 327.925 pessoas. O salto é ainda mais expressivo ao considerar a série histórica: o número atual é 14,6 vezes maior que o registrado em dezembro de 2013, quando apenas 22,9 mil pessoas estavam nessa condição.

Segundo o MDS, a ampliação do número de registros está associada à retomada, em 2023, das capacitações para entrevistadores e operadores do CadÚnico, fortalecendo a coleta de dados pelos municípios. A pasta também destacou que havia subnotificação de dados no período de 2019 a 2022, devido à fragilidade na atualização cadastral.

Perfil da população em situação de rua

O relatório detalha a composição demográfica da população em situação de rua no Brasil:

Faixa etária Número de pessoas Percentual
Crianças e adolescentes 9.933 3%
Adultos (18 a 59 anos) 294.467 88%
Idosos (60 anos ou mais) 30.751 9%
SESC PICASSO
  • Gênero: 84% das pessoas em situação de rua são do sexo masculino.

  • Renda: 81% sobrevivem com até R$ 109 por mês, o que representa apenas 7,18% do salário mínimo vigente (R$ 1.518).

  • Escolaridade: Mais da metade (52%) não concluiu o ensino fundamental ou é analfabeta. A maior parte das pessoas em situação de rua é negra.

A pesquisa reforça que a baixa escolaridade dificulta o acesso a oportunidades de trabalho, aumentando o ciclo de vulnerabilidade.

Distribuição geográfica da população em situação de rua

A maior concentração de pessoas em situação de rua está nas regiões mais urbanizadas do país:

Região Número de pessoas Percentual nacional
Sudeste 208.791 63%
Nordeste 48.374 14%
Sul 42.367 13%
Centro-Oeste 19.037 6%
Norte 16.582 4%

No recorte estadual, São Paulo lidera o ranking, concentrando 42,82% da população em situação de rua no Brasil, seguido por:

  • Rio de Janeiro: 30.997 pessoas (10%)

  • Minas Gerais: 30.355 pessoas

CONTADOR - BONUS

Entre as capitais, os números absolutos são alarmantes:

Capital Número de pessoas em situação de rua
São Paulo 96.220
Rio de Janeiro 21.764
Belo Horizonte 14.454
Fortaleza 10.045
Salvador 10.025
Brasília 8.591

Capitais com maior proporção de pessoas em situação de rua por mil habitantes:

  • Boa Vista: 20 por 1.000 habitantes

  • São Paulo: 8 por 1.000 habitantes

  • Florianópolis: 7 por 1.000 habitantes

  • Belo Horizonte: 6 por 1.000 habitantes

Variações recentes

O estudo também aponta mudanças no número de pessoas em situação de rua nas capitais:

  • Aumento: Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

  • Diminuição: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Acre, Maranhão, Goiás, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.

  • Estabilidade: São Paulo, Bahia, Ceará, Amazonas, Rio Grande do Norte e Tocantins.

Violência contra a população em situação de rua

De 2020 a 2024, o Disque 100, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), registrou 46.865 casos de violência contra pessoas em situação de rua.

As capitais concentram 50% das denúncias:

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Capital Número de casos de violência
São Paulo 8.767
Rio de Janeiro 3.478
Brasília 1.712
Belo Horizonte 1.283
Manaus 1.115

A maioria das vítimas tinha entre 40 e 44 anos. Os casos ocorreram principalmente em vias públicas, mas também foram denunciados episódios em abrigos, hospitais, centros de referência e órgãos públicos, espaços que deveriam proteger essa população.

Avaliação e ações do governo

Em nota, o OBPopRua/Polos-UFMG destacou que "as políticas públicas estruturantes como moradia, trabalho e educação voltadas para a população em situação de rua no Brasil são inexistentes ou ineficientes" e criticou o "descumprimento da Constituição Federal de 1988" quanto à garantia de direitos dessa população.

O MDS, por sua vez, ressaltou investimentos contínuos na assistência social, como:

  • Ampliação dos Centros POP, que oferecem alimentação, espaços de higiene, apoio para emissão de documentos e outros serviços essenciais.

  • Fortalecimento do Serviço de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), voltado para o apoio psicossocial.

O governo federal também destacou o repasse de recursos para estados e municípios reforçarem ações voltadas à inclusão social e enfrentamento das desigualdades.

Fonte: ABr
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