*Por Marcelo RossoniA Augusta e Respeitável Loja Maçônica União e Progresso nº 0236 comemora, no dia 8 de novembro, 153 anos de existência. A data é grande, mas o que ela carrega é maior: uma permanência que acompanhou as transformações de Vitória sem se deixar arrastar por elas. Fundada em 1872, quando a Cidade Alta ainda era o centro vivo da administração capixaba, a loja permanece no mesmo endereço da Rua Muniz Freire desde então. O mundo em volta mudou inúmeras vezes; ela continuou ali, silenciosa, estável, atravessando gerações.
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Ao longo das últimas décadas, o Centro Histórico foi se esvaziando. Palácios que abrigavam secretarias e repartições perderam movimento. Salas comerciais migraram para avenidas mais novas, onde o carro chega sem esforço. Bancos e empresas se instalaram em prédios envidraçados, longe das escadarias antigas. A vida administrativa que antes pulsava nas ladeiras da Cidade Alta desceu para outros bairros. E, nesse movimento de saída, muitos edifícios se transformaram em cenários — belos, mas sem uso. A União e Progresso, porém, permaneceu. Não por nostalgia, mas por coerência. Sua continuidade não depende do ritmo da cidade: ela guarda seu próprio tempo.A maçonaria, muitas vezes cercada por lendas e curiosidades, vive na prática de algo mais simples e exigente: a construção de si mesmo pela convivência e pelo estudo. Não há espetáculo ali. Há ritos que organizam a reflexão, conversas que se estendem, silêncios que têm sentido. Cada membro é convidado a lapidar sua própria “pedra bruta”, metáfora antiga que expressa o esforço de tornar-se melhor — um trabalho paciente, que não se rende às pressas cotidianas.Hoje, quem conduz a União e Progresso é o Venerável Mestre Luiz Claudio Firme Pina. Sob sua orientação, o prédio histórico passou por um processo cuidadoso de revitalização, que será apresentado durante a semana de comemorações. Os ambientes foram reorganizados, o mobiliário atualizado e um restaurante foi implantado para uso interno — pensado para fortalecer vínculos e acolher reuniões e recepções sob o comando do irmão Zezinho. Não se trata apenas de abrir um local ao público, mas de cultivar um espaço onde a convivência siga sendo um valor vivo.
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No dia 8, às 20 horas, haverá uma confraternização reunindo maçons, esposas e convidados. O traje indicado é esporte fino. Será um encontro sem ostentação, voltado ao reencontro entre irmãos e à celebração tranquila da continuidade. Instituições centenárias não se sustentam apenas por tradição formal, mas por presença constante, por gestos repetidos de cuidado e de vínculo.A permanência da loja na Cidade Alta tem importância maior do que parece à primeira vista. Um prédio histórico sem vida vira lembrança. Um prédio ocupado, ao contrário, guarda memória. A vitalidade de um espaço não está apenas nas paredes, mas no que acontece entre elas. A União e Progresso mantém vivo um trecho da cidade que poderia ter se tornado silêncio. Ao permanecer, ela assegura que a história não se encerrou ali — ela ainda está acontecendo.
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Vitória mudou muito desde o século XIX, espalhou-se para além de suas colinas, ocupou margens e avenidas, buscou outros centros. Mas há lugares que não precisam mudar para continuar significando. A loja funciona como uma referência silenciosa de que nem tudo precisa acompanhar o compasso veloz do cotidiano. Alguns espaços existem justamente para lembrar que o tempo pode ser respirado.E há ainda um mérito que merece ser dito com clareza. Sob a condução do Venerável Mestre Luiz Claudio Firme Pina, a loja não apenas restaurou seu edifício, mas também renovou sua própria vitalidade. Novos irmãos foram iniciados, trazendo consigo diferentes histórias, profissões, perspectivas e trajetórias de vida. Ali, o que se compartilha não depende de filiação partidária, posição econômica ou inclinação religiosa: a Maçonaria reconhece o valor do que cada um traz de humano. O que se celebra, portanto, não é apenas a permanência no espaço, mas a permanência do espírito que dá sentido a ele. Que a União e Progresso siga assim: firme no tempo, aberta ao novo, serena na convivência, acolhedora na diversidade e constante na fraternidade.
* Marcelo Rossoni é jornalista e membro regular e ativo da Loja Maçônica União e Progresso
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