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Lenny Kravitz aposta no caminho fácil dos hits em show em São Paulo

FolhaPress 24/11/2024 00:11

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cantando para um Allianz Parque longe de estar lotado, talvez com pouco mais de 60% da ocupação, o americano Lenny Kravitz fez um show sem surpresas na noite de sábado (23). Na única apresentação até agora programada para o Brasil na turnê de seu álbum "Blue Electric Light", lançado no começo do ano, ele apostou no caminho fácil dos hits.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Décimo segundo álbum de uma carreira fonográfica iniciada em 1989, "Blue Electric Light" teve críticas muito favoráveis, na melhor recepção a um trabalho dele nos últimos 20 anos. Por causa disso, muitos fãs provavelmente esperavam um material maior dessa última leva de músicas, mas o cantor foi conservador.

Ele mostrou ao público paulistano apenas três músicas do álbum novo: "Human", "Paralyzed" e "TK421", justamente aquelas que tiveram bom desempenho como singles lançados nas redes. Canções que já estavam mastigadas para o grande público.

De resto, ele priorizou seus hits singles, pinçando músicas de nove de sua dúzia de álbuns gravados. E a quantidade de sucessos em escala global é tanta que permite a ele construir o repertório com canções reconhecidas pelo público logo nos primeiros acordes.

Para abrir a noite, ele já chutou a porta com coisas bem pesadas, como as antigas "Bring It On" e "Minister of Rock and Roll", e a nova "TK421", que funciona bem melhor ao vivo do que na versão original de estúdio.

SESC PICASSO

No palco, ele exibiu seu arsenal de poses e requebradas, fiel a um tipo sensual que desde o início da carreira tem obtido bons resultados junto ao público. Kravitz, 60, ostentou todo o tempo uma marca visual pessoal, indefectível: os óculos escuros, que ele afirma serem necessários por ter uma alta sensibilidade à luz. Mas sua ex, a atriz Lisa Bonet, já disse em entrevistas que é apenas uma bossa que ele gosta de manter.

A banda demonstrou ser muito boa, com destaque para o guitarrista e produtor Craig Ross, desde sempre escudeiro constante de Kravitz nas turnês e muitas vezes o único a participar das gravações dos álbuns do cantor, que prefere tocar sozinho vários instrumentos no estúdio.

Na primeira parte da apresentação, ele elencou canções mais lentas, como "I Belong to You" e "Stillness of Heart". Nesta, foi até quem estava no gargarejo na pista premium e se deixou abraçar pelos fãs.

Optou por batidas um pouco mais fortes com as recentes "Human" e a funkeada "TK421", realmente um momento Prince na noite.

Embora com músicas conhecidas, um bloco lá pelo meio do show soou um tanto arrastado, reunindo "Paralyzed", "The Chamber" e "Fear" quando foi possível ver muita gente se dirigindo aos bares para comprar mais uma rodada de cervejas .

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Mas aí Kravitz sinalizou a mudança para uma parte final matadora com um de seus maiores êxitos, a pegajosa "It Ain't Over 'Til It's Over", que atravessou todo o ano de 1991 sem parar de tocar nas rádios. Virou trilha de filme, música de comercial de TV e grudou nos cérebros de toda uma geração.

Kravitz manteve a hipnose na plateia com a romântica "Again" e o funk-rock "Always on the Run". E nocauteou o Allianz de vez, mandando em seguida "American Woman", cover da banda Guess Who que ele gravou em 1999 e, num desses casos que às vezes acontece no rock, transformou a canção dos outros em sua propriedade.

Para encerrar, escolheu "Fly Away", rock lascivo e feito para pular, extraído do álbum "5", de 1998, e "Are You Gonna Go My Way?", sua mais adorada canção. No bis, a solitária mas empolgante "Let Love Rule", que dá título a seu disco de estreia, de 1989.

Assim, fechou uma noite na qual ele optou pela segurança. Escolheu os singles famosos que serviram para exibir sua mistura bem-sucedida de rock, funk, soul e pop.

Em sua quinta vez no Brasil, a primeira desde 2019, Lenny Kravitz deu ao público mais uma comprovação de ser um hitmaker não muito inovador, mas que entrega muito bem o que a plateia quer.

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Quase como se montasse um festival particular, Kravitz colocou três atrações para esquentar o público no Allianz desde o fim da tarde. A cantora Lineker fez um show curto, mas vigoroso, atestando a boa fase em que ela surfa agora. No entanto, pegou o estádio quase vazio. A participação não funcionou para aumentar seu público com novos fãs.

Depois, também para poucas testemunhas, a britânica Lianne La Havas mostrou um pouco de seus três álbuns já lançados, que levaram seu nome a ser uma nova aposta no soul e no folk. Sua voz é realmente incrível, o repertório traz músicas elegantes e a conexão com a plateia rolou. Sua passagem pelo Brasil incluiu na agenda show solo no Cine Joia, em São Paulo, no domingo (24).

Antes da atração principal subir ao palco, foi a vez de Frejat, já com uma plateia mais consistente. E o público reagiu bem aos inúmeros hits da longa carreira do ex-líder do Barão Vermelho. Seu habitual rock pop com alguma raiz de blues caiu bem para os admiradores da fórmula sonora de Kravitz.

Pna que teve o som cortado no meio da última música, "Pro Dia Nascer Feliz", por indelicadeza da produção de Kravitz, porque Frejat tinha de acabar seu show até as 20h30. O público tomou as dores do brasileiro e o aplaudiu com entusiasmo.

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