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La Niña pode voltar neste trimestre, diz Organização Meteorológica Mundial

FolhaPress 02/09/2025 07:57

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A OMM (Organização Meteorológica Mundial) anunciou na madrugada desta terça-feira (2) que o La Niña pode retornar neste trimestre, afetando padrões meteorológicos e climáticos a partir de setembro. A última ocorrência do La Niña foi de dezembro de 2024 a março de 2025.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O fenômeno é parte das variações naturais do clima e ocorre quando há um resfriamento do oceano Pacífico perto da linha do Equador (no El Niño, acontece o oposto), o que costuma fazer com que as temperaturas no planeta caiam temporariamente.

Apesar disso, o órgão meteorológico das Nações Unidas adverte que nos próximos meses os termômetros devem continuar registrando índices acima da média em grande parte do mundo.

Desde março, o cenário é de condições neutras, sem a presença do El Niño nem do La Niña, com a variação da temperatura da superfície do mar permanecendo próxima da média em todo o Pacífico equatorial.

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De acordo com as previsões mais recentes dos Centros Globais de Produção para Previsão Sazonal da OMM, há 55% de chance de as temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial esfriarem para níveis de La Niña, e 45% de chance de permanecerem em níveis neutros no período de setembro a novembro.

Para outubro a dezembro de 2025, a probabilidade de condições de La Niña aumenta ligeiramente, para cerca de 60%.

"As previsões sazonais para El Niño e La Niña e os impactos associados a eles em nosso clima são uma importante ferramenta de inteligência climática. Elas se traduzem em milhões de dólares de economia para setores-chave como agricultura, energia, saúde e transporte, e salvaram milhares de vidas quando usadas para orientar ações de preparação e resposta", afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

No Brasil, geralmente o La Niña muda a distribuição de chuvas, com precipitação maior nas regiões Norte e Nordeste e menor no Sul e Centro-Oeste. As temperaturas costumam ficar mais baixas no país.

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A organização disse, ainda, que há pouca chance de o El Niño se desenvolver no segundo semestre.

A Administração Nacional Atmosférica e Oceânica (Noaa, na sigla em inglês) dos Estados Unidos anunciou em agosto que há 56% de chances das condições neutras continuarem até outubro, sendo seguidas por um "breve período de La Niña" até as primeiras semanas do próximo verão. Depois disso, a agência espera que as condições neutras retornem.

EL NIÑO, LA NIÑA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

O La Niña é caracterizada pelo resfriamento periódico em larga escala das temperaturas da superfície do oceano nas regiões central e oriental do Pacífico equatorial. Essa variação está associada a alterações na circulação atmosférica, como nos ventos, na pressão e nos padrões de precipitação.

Tipicamente, o La Niña traz impactos climáticos opostos aos do El Niño, especialmente em regiões tropicais.

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No entanto, esses eventos climáticos naturais estão ocorrendo no contexto mais amplo da mudança climática induzida pelas atividades humanas —que está aumentando as temperaturas globais, exacerbando eventos climáticos extremos e impactando a sazonalidade das chuvas e da variação nas temperaturas.

Diante de um planeta cada vez mais quente, o resfriamento trazido pelo La Niña em anos recentes não tem sido suficiente para refrescar significativamente as temperaturas globais.

Assim, levando em conta a crise climática e também outros padrões meteorológicos, a OMM alerta que, mesmo que o La Niña chegue no próximo trimestre, as temperaturas devem ficar acima do normal em grande parte do hemisfério Norte e em grandes áreas do hemisfério Sul de setembro a novembro.

Quanto à chuva, as previsões para o período são semelhantes às condições tipicamente observadas durante um La Niña moderado.

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