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Justiça de SC autoriza e corpo de cão Orelha é exumado

Estadão Conteúdo 13/02/2026 09:11

A Justiça de Santa Catarina autorizou a exumação do corpo do cãozinho comunitário Orelha, morto na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. A reportagem apurou que o procedimento já foi realizado pela Polícia Científica, mas, como o caso tramita em segredo de Justiça, outros detalhes, como a data da análise do corpo e possíveis resultados, não foram informados.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

As investigações seguem avançando para o caso ser enviado à Justiça. A exumação foi um pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), que fez a solicitação do procedimento na última segunda-feira, 9, "para a realização de perícia direta".

Após a Polícia Civil concluir as investigações e enviar o caso para o MP-SC, a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, da área da Infância e Juventude, e a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, da área criminal, apontaram para a necessidade de maiores esclarecimentos sobre caso.

O pedido pela exumação do Orelha partiu da 10ª Promotoria, que solicitou o aprofundamento de diligências relacionadas a quatro boletins de ocorrência.

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Já a 2ª Promotoria de Justiça estipulou prazo de 20 dias para os investigadores colherem novos depoimentos e apurarem se houve ou não coação no curso do processo.

Além do pedido de internação de um adolescente, suposto agressor, a polícia indiciou três adultos suspeitos de coagirem testemunhas no caso.

Como mostrou o Estadão, no entanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante direitos fundamentais a menores de 18 anos no Brasil, não prevê a internação de jovens envolvidos em casos de maus-tratos a animais.

Em nota, o governo de Santa Catarina informou que a Polícia Civil e a Polícia Científica "têm se empenhando ao máximo para que a denúncia dos envolvidos possa prosseguir para a Justiça junto com as demais provas já obtidas nas investigações da morte do Cão Orelha e dos maus tratos ao Cão Caramelo".

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Caramelo é outro cachorro comunitário que, segundo as investigações, também foi agredido na mesma praia e no mesmo mês. Na ocasião, o animal sobreviveu e foi adotado pelo delegado-geral Ulisses Gabriel.

Informações preliminares da polícia apontavam que quatro adolescentes tinham sido os agressores de Orelha e Caramelo. Com o avanço das investigações, apenas um adolescente foi apontado como o autor das agressões ao Orelha, enquanto outro grupo foi apontado como responsável por tentar afogar Caramelo.

Sobre o Orelha, a polícia informou que o adolescente apontado como agressor teve a sua versão desmentida por câmeras de monitoramento, que o flagraram voltando da praia no início da manhã do dia 4 janeiro.

Na versão dos investigadores, Orelha foi resgatado por uma moradora e morreu em uma clínica veterinária no dia seguinte em razão da gravidade dos ferimentos. Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

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No entanto, não há imagens nem testemunhas que confirmam que as agressões tenham partido do adolescente. Além disso, a defesa do rapaz divulgou um vídeo em que o cão Orelha aparece caminhando, aparentemente saudável, na manhã do dia 4. A polícia confirma que o animal é o cachorro supostamente agredido, mas alega que ele não morreu instantes depois da agressão.

Além do pedido de exumação do corpo de Orelha, o Ministério Público de Santa Catarina também instaurou um inquérito, pela 40ª Promotoria do MP-SC para apurar a conduta do delegado-geral, Ulisses Gabriel.

Em nota, a Polícia Civil informou que não divulga detalhes sobre diligências do caso "visando o bom andamento do procedimento policial", mas destacou que a Polícia Civil e a Polícia Científica "têm cumprido de forma célere todas as novas diligências".

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