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Júri da Bienal de Veneza renuncia em protesto contra a participação de russos e israelenses

Estadão Conteúdo 30/04/2026 20:17

O júri internacional da 61ª Bienal de Arte Contemporânea de Veneza apresentou sua renúncia nesta quinta-feira, 30, nove dias antes da abertura oficial do evento na cidade ao norte da Itália. O ato é um protesto e revela a tensão nos bastidores após a Bienal confirmar a participação de artistas da Rússia e de Israel na exposição, considerada a mais importante do setor. A comissão era liderada pela brasileira Solange Farkas, fundadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Um breve comunicado sobre a renúncia foi divulgado pelo site e-flux, especializado em notícias de arte. O texto diz: "A partir de 30 de abril de 2026, nós, o júri internacional selecionado por Koyo Kouoh, Diretora Artística da 61ª edição da Bienal de Veneza - In Minor Keys (Em Tons Menores) -, renunciamos aos nossos cargos. Fazemos isso em reconhecimento à nossa Declaração de Intenções emitida em 22 de abril de 2026".

Além de Farkas, assinam o documento os outros quatro jurados: Zoe Butt, Elvira Dyangani Ose, Marta Kuzma e Giovanna Zapperi.

O Estadão procurou a organização da Bienal de Veneza para comentar a decisão do júri, mas não obteve resposta. A reportagem também solicitou um posicionamento de Solange Farkas. O espaço segue aberto.

SESC PICASSO

Na declaração de intenções citada, a comissão manifestava o desejo de excluir da premiação artistas oriundos de países acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

Embora o júri não cite países específicos, o tribunal possui investigações abertas contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, além de ter emitido um mandado de prisão contra o presidente russo, Vladimir Putin, por crimes de guerra.

De Israel, o principal artista participante é Belu-Simion Fainaru, que exporá no Arsenale, o espaço mais prestigiado da Bienal. Ao jornal The New York Times, Fainaru afirmou que não pode ser discriminado e pediu para ser avaliado apenas pela "qualidade e mensagem" de sua arte. Da Rússia, cerca de 40 artistas participarão do evento.

CONTADOR - BONUS

Em um post publicado no Instagram há cinco dias, Fainaru mostrou uma foto da preparação de sua instalação na Bienal e escreveu que "infelizmente, a Bienal pode acabar sendo menos sobre arte e mais sobre o mundo turbulento que a rodeia". "Mas ainda estamos fazendo arte e acreditando no diálogo", finalizou.

Diante da renúncia do júri, a Bienal de Veneza decidiu transferir a cerimônia de entrega de prêmios de 9 de maio para 22 de novembro. De acordo com nota divulgada pela organização, serão concedidos dois prêmios que seguirão "o princípio de inclusão e igualdade de tratamento".

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