Terceira a desfilar, escola levou à avenida narrativa centrada na figura de Maria Padilha e na simbologia das encruzilhadas
Terceira escola a desfilar na noite de sexta-feira no Carnaval de Vitória 2026, a Unidos de Jucutuquara levou ao Sambão do Povo um desfile marcado por grandiosidade estética, forte carga simbólica e protagonismo feminino. Com arquibancadas e camarotes cheios, a escola foi acompanhada com atenção e entusiasmo pelo público ao longo de toda a apresentação.
Desde a entrada na avenida, a Jucutuquara apresentou uma narrativa centrada na força, na resistência e na espiritualidade feminina. O enredo “Arreda Homem Que Aí Vem Mulher” colocou no centro da proposta a figura de Maria Padilha, entidade das tradições afro-brasileiras associada às encruzilhadas, aos caminhos e às passagens.
A avenida foi transformada em uma grande encruzilhada simbólica, onde fé, ancestralidade e espetáculo se encontraram. O público respondeu com gritos de incentivo e aplausos constantes, acompanhando a escola que avançava pela pista com evolução segura e envolvimento visível de seus componentes.
A imponência dos carros alegóricos, o uso intenso de cores e a harmonia entre fantasias, coreografias e samba-enredo reforçaram a leitura clara da proposta apresentada. A vibração nas arquibancadas permaneceu constante, enquanto integrantes da escola desfilavam visivelmente emocionados.
A narrativa destacou o feminino como força de poder, sabedoria e transgressão, exaltando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem seus próprios caminhos. Maria Padilha foi retratada como símbolo de memória coletiva, resistência cultural e reinvenção, dialogando com o presente sem romper com suas raízes.
Ao longo do desfile, a escola reafirmou o carnaval como espaço legítimo para múltiplas vozes, histórias e espiritualidades. A proposta estética e narrativa encontrou resposta positiva do público, que acompanhou a apresentação do início ao fim.
Ao cruzar a linha final, a Unidos de Jucutuquara encerrou sua passagem pela avenida deixando a marca de um desfile que uniu impacto visual, coerência temática e forte conexão simbólica. Mais do que a disputa por um título, a escola apresentou uma leitura de carnaval ancorada na ancestralidade, na liberdade e na valorização do poder feminino no Carnaval de Vitória 2026.
Fotos: Leonardo Silveira/PMV/Divulgação