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J Balvin, no The Town, diz que o Brasil não será exceção para o sucesso do reggaeton

FolhaPress 29/08/2025 10:38

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No clipe de "Ginza", um dos maiores sucessos do reggaeton, J Balvin canta no subterrâneo de uma obscura cidade de filme de sci-fi repleta de motivos asiáticos. A cenografia poderia parecer deslocada para o colombiano, mas, dez anos depois do lançamento, o outro lado do mundo lhe é tão próximo quanto o vizinho Brasil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Se cantamos no Japão e na China, por que não cantaria no Brasil?", diz o artista, numa pergunta retórica. "É uma missão que já tive em outras partes do mundo, não é novo para nós esse processo de ver um gênero crescendo. Somos latinos, isso é o mais importante. É nossa cultura."

J Balvin volta ao país em setembro para se apresentar no The Town. Nome incontornável do reggaeton, o artista foi um dos primeiros a desbravar o país, no fim dos anos 2010, tão logo a indústria do gênero começou a expandir suas fronteiras para além dos países de língua espanhola.

"Tenho muito carinho pelo Brasil. Desde pequeno eu viajava ao Brasil com meus pais, era o lugar favorito deles, e foi onde eles passaram a lua de mel", lembra. "Cresci escutando música brasileira, lambada, vendo a conexão com futebol, enfim, o Brasil nunca foi algo distante para mim."

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Fato é que o Brasil de 2025 não é mais o país da lambada e tampouco um território alheio ao reggaeton, como era em 2017, quando J Balvin estreou no Rio de Janeiro. Hoje é possível encontrar festas de reggaeton em várias capitais, artistas brasileiros experimentam com o gênero e cidades como São Paulo se tornam paradas obrigatórias na rota dos reggaetoneros.

"Fiz shows em São Paulo, no Rio, e sempre recebi o carinho do público, sempre foi bonito ver pessoas cantando minhas letras em espanhol. É aí que vemos a força da música", diz o artista. "Sinto que somos cada vez mais. Já temos penetração na Ásia, no mundo árabe, e o Brasil não vai ser exceção."

Desde que ganhou o mundo como seu reggaeton pop e polivalente —J Balvin tem tantas parcerias quanto bons números de audiência—, o artista sempre falou de sua luta contra depressão e ansiedade. "Hoje em dia eu curto mais os shows, muito mais que antes, me permito aproveitar para que seja um momento de alegria", diz ele.

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Seu primeiro grande festival no Brasil ocorre poucos meses após o lançamento do álbum "Mixteip". Como sugere o nome —uma espanholização de "mixtape"—, o disco é uma coleção de músicas escanteadas entre sessões de estúdio dos últimos anos —incluindo as gravações do álbum "Rayo", álbum lançado no ano passado sem grande alarde.

O que poderia ser um ponto fraco do projeto —a falta de um fio condutor— é, no entanto, seu ponto forte. Não que o conjunto seja obra memorável, mas o disco tem trunfos. As dez faixas mostram um cantor solto em diferentes formas de encaixar o reggaeton. Ao lado do dominicano Omega, ele opta por um merengue acelerado. Já com Gilberto Santa Rosa, "o cavaleiro da salsa", o colombiano faz uma típica dança de salão.

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O artista também mostra seu amor pelo Brasil em duas faixas. Ao lado do rapper britânico Stormzy, faz o funk com toques afrobeats "Uuu" e, junto dos produtores Oddliquor e Mazzari, transforma a bateria de uma escola de samba em toques de reggaeton na faixa "Rio" —tributo a seu filho, cujo nome é inspirado na capital carioca.

"‘Mixteip’ é uma seleção de músicas e não necessariamente um conceito, como um álbum", ele afirma. "No disco eu mostro o que eu gosto, e o funk é o caso porque é, sem dúvida, o reggaeton do Brasil, um som de rua com um toque forte e dinâmico."

Para o show no The Town o artista traz, além das novas faixas, composições de sucesso do seu repertório. É caso de "Loco Contigo", "Mi Gente" e a própria "Ginza", que também fez sucesso numa versão com Anitta. "Minha amizade com a Anitta abriu muitas portas", diz ele, que também gravou com a cantora as canções "Downtown" e "Machika".

"Em show de festivais precisamos ir direto ao ponto —temos que tocar os hits e deixar o público com vontade de mais, e para isso somos muito bons", diz. Ao ser questionado sobre uma possível participação da amiga brasileira, J Balvin ri: "Vamos ver o que pode acontecer!"

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