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Influenciadora faz alerta sobre distúrbios alimentares e é punida pelo Instagram

FolhaPress 01/12/2024 13:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma rápida passada de olhos nas redes sociais e não demoram a surgir termos e expressões como Ozempic, Baby tee, "magras, magras, magras" em tom de exaltação. Seria o prenúncio do fim do movimento body positive, que estimula e celebra corpos diferentes do padrão estético consagrado?

Senac 16 de julho — Capa (rail)

No que depender de Luiza Allan, do perfil Não Como Só Alface, ele está longe de enfraquecer. Na contramão das onipresentes "dietas do ovo", dos treinos milagrosos e das canetinhas mágicas, a influenciadora criou a página em 2016. Ela traz conteúdos sobre alimentação saudável, além de vídeos de comédia. Mas, ao fazer um post de denúncia à cultura da magreza nas redes, o Instagram entendeu o conteúdo de forma errada e acabou punindo seu perfil.

O vídeo de Luiza relatava sua experiência pessoal com distúrbios alimentares e alertava sobre os perigos relacionados à volta da cultura da magreza. Ela também publicou uma foto nos stories avisando sobre o tema sensível e postou uma foto sua, de biquíni, da época em que sofria de anorexia e tinha um corpo excessivamente magro. "Aviso de gatilho para o meu último reels. Falo sobre anorexia. Se for tópico sensível para você, não assista", dizia a legenda.

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O conteúdo postado foi interpretado pela plataforma de forma contrária ao que propunha. Em outubro, a influenciadora recebeu notificações que diziam que seu story não seguia as "diretrizes da comunidade sobre suicídio, automutilação e distúrbios alimentares" e que "pode levar as pessoas a se autoagredirem".

O aviso deu alguns exemplos de conteúdos que não seriam permitidos, como posts que debocham de transtornos alimentares, instruções sobre perda de peso e imagens que enfatizem a magreza extrema, "a não ser que sejam sobre recuperação". Seu post entraria na exceção citada.

Após as notificações, o story foi removido. Em seguida, seus conteúdos foram proibidos de serem recomendados para novos seguidores e monetizados. O perfil foi impedido de fazer colaborações com outros perfis e de responder às mensagens enviadas por seguidores no chat privado. As medidas foram impostas pelo Instagram num prazo que vai até 10 de fevereiro de 2025.

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Ao F5, Luiza lamentou os prejuízos que vem acumulando ao ser punida por um erro do Instagram: "Vou ter que trabalhar de graça para compensar algo que não foi erro meu, foi erro da plataforma". "Quando o conteúdo fica restrito, isso faz com que eu não ganhe mais seguidores, o que é algo extremamente importante para o meu trabalho", disse.

Para tentar reverter a situação, a influenciadora acionou o suporte técnico da rede social, submetendo um requerimento para esclarecer que o conteúdo não infringia as políticas da plataforma, mas visava exclusivamente promover a conscientização. Luiza não obteve retorno da empresa nem teve suas restrições removidas no momento.

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O próximo passo foi entrar com uma demanda judicial. A equipe jurídica da influenciadora pediu uma tutela cautelar antecedente, destinada a obter a retirada imediata das sanções aplicadas, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. Nenhuma restrição foi retirada até o momento e Luiza continua com recursos bloqueados.

Procurado pelo F5 sobre os critérios, metodologias e políticas de restrições, o Instagram não quis comentar.

Luiza lamentou a postura da rede social: "Qual é o critério? Por que umas pessoas são atingidas e outras não? Por que pessoas que estão falando sobre conscientização são punidas e restritas e pessoas que realmente estão incentivando estão aí, com conteúdos patrocinados?". "Há várias pessoas fazendo conteúdos sobre extrema magreza, dietas restritivas, contagem de calorias, e nada disso é derrubado", disse ela.

Ela falou também sobre o dano que os conteúdos relacionados à magreza podem causar no público: "Pessoas que são referências para meninas jovens e que, a cada dia que passa, ficam mais magras, mesmo que não falem sobre seus métodos, incentivam a procura por alternativas. E o [método] mais fácil é o mais danoso".

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