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Influenciador de Pokémon com 1 milhão de seguidores é preso sob suspeita de estupro de vulnerável

FolhaPress 22/10/2025 18:31

SÃO PAULO, SP E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O influenciador João Paulo Manoel, conhecido como Capitão Hunter, 45, foi preso na manhã desta quarta-feira (22), em Santo André (Grande SP), pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, sob suspeita de estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Folha de S.Paulo entrou em contato com o Manoel, mas não houve retorno. Segundo a Polícia Civil, Manoel negou a suspeita ao ser preso e disse aos agentes que não era "um monstro". A reportagem não teve acesso à defesa dele.

A prisão foi feita por agentes da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima) com colaboração da Polícia Civil de São Paulo. Ele estava acompanhado do irmão e da mulher.

Ele produz conteúdo para o público infantil e tem mais de 1 milhão seguidores em suas redes, onde fala principalmente da franquia de jogos e animações Pokémon. Seu público é majoritariamente composto por crianças e adolescentes. Ele também tem uma loja, onde comercializa diversos produtos.

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A investigação foi iniciada a partir da denúncia de uma mãe, que identificou contatos entre a filha de 13 anos e o influencer através de mensagens em redes sociais. Segundo a polícia, eles mantiveram contato por dois anos —desde que a menina tinha 11 anos—, e se conheceram pessoalmente em evento em um shopping no Rio de Janeiro.

A partir do encontro, ele teria passado a aliciar a adolescente para estreitar os laços, diz a polícia. "Ele a constrangia mediante promessa de cartinhas de Pokémon, ou algum brinquedo, para a vítima mostrar as partes íntimas dela. Ele mostrava as dele em videochamadas", afirma a delegada Maria Luiza Machado, da DCAV.

De acordo com a investigação, o influencer manipulava a adolescente, dizendo duvidar que ela tinha menos de 18 anos.

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"Mas ela falava: 'não, eu tenho 13', dizia a idade para ele de forma muito clara. Ele envolvia a vítima de forma a ela acreditar que é especial. Ele tem condição de ídolo. Quando ele e a vítima se conheceram no Rio, a mãe dela até gostou, pois achou que ele poderia agenciá-la para que ela pudesse ter seguidores. Ele dizia: 'você é a minha melhor amiga, é a pessoa em quem mais confio'", diz a delegada.

A investigação continua porque, segundo a polícia, há indícios de que Manoel pode ter aliciado outras vítimas. A polícia diz que uma das conversas captadas mostra que o influenciador encaminhou à adolescente de 13 anos a foto de uma terceira pessoa, de forma a convencê-la a fazer também produzir imagens próprias.

Foram cumpridos mandados pelos crimes de estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil.

Estupro de vulnerável é a prática de conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso contra menores de 14 anos, quando a vítima não tem discernimento ou não tem possibilidade de resistência.

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Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão e realizaram quebra de sigilo de dados. Todos os aparelhos eletrônicos arrecadados serão periciados.

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QUEM É CAPITÃO HUNTER

Capitão Hunter, como João Paulo Manoel se apresenta, tem mais de 700 mil seguidores apenas no YouTube, onde seus conteúdos são acompanhados por crianças e adolescente.

Todos o material produzido é destinado ao público infantil.

Capitão Hunter participa de diversos eventos, feiras e campeonatos pelo Brasil e no exterior, onde palestra sobre esse universo e mantém contato direto com os fãs.

Ele tem a banda HunterRocks, com músicas que podem ser ouvidas em plataformas de streaming, e ainda mantém uma loja, onde vende itens do universo Pokémon, como cartas, pastas, entre outros.

O suspeito preso fez dois shows em shoppings do Rio de Janeiro, em setembro, e outros dois em São Paulo, em outubro.

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