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Indígenas guaranis invadem escritório de Itaipu em Brasília e reivindicam território

FolhaPress 25/04/2024 18:26

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Indígenas do povo avá-guarani invadiram, na tarde desta quinta-feira (25), o escritório da usina binacional de Itaipu, em Brasília. O protesto pede que seja assinada uma carta de compromisso da empresa com as reivindicações do movimento.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Os indígenas pedem que seja feita uma reparação histórica em razão das áreas alagadas de suas terras para o reservatório da usina. Dizem que o ato é para "reivindicar o território que Itaipu nos deve", no estado do Paraná.

Eles afirmam que territórios utilizados pela empresa pertencem ao seu povo, para moradia e por serem sagradas para seus antepassados.

O povo avá-guarani move contra Itaipu uma ACO (ação cível originária) sobre esta demanda. O STF (Supremo Tribunal Federal) criou uma mesa de negociação, mediada pela AGU (Advocacia-Geral da União), para tratar do tema.

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Os indígenas reclamam, no entanto, de que a empresa não compareceu à última reunião do grupo e, passado um mês, tampouco apresentou justificativa para a ausência ou argumentos para as negociações.

"Até agora a empresa não sentou frente a frente com as lideranças para ouvir as razões de nossa proposta", diz a carta.

"Nós estamos dispostos a dialogar sobre essa e outras propostas, mas sobretudo queremos ser ouvidos, com respeito e atenção", continua o documento.

O movimento diz que não sairá do prédio até que seja assinada a carta, que contém quatro reivindicações.

Dentro do escritório, a ocupação é comandada por cerca de dez pessoas. Do lado de fora, mais indígenas fazem um protesto.

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Primeiro, pedem que Itaipu participe de todas as reuniões e trate os indígenas com respeito; segundo, demandam que seja feita uma conversa em até sete dias; depois, exigem que o processo seja tratado com celeridade, uma vez que os indígenas vivem em situação de vulnerabilidade; e, finalmente, reivindicam que seja feita "a reparação da dívida histórica" da empresa com o povo.

A manifestação acontece paralelamente a uma marcha de indígenas, em Brasília, que faz parte do Acampamento Terra Livre, o principal evento do movimento no ano.

Em 2024, conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo, os atos acontecem em meio a uma enorme insatisfação dos povos com o governo Lula (PT), que não foi convidado a participar do evento, diferentemente do que aconteceu nos últimos dois anos.

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Recentemente, a ministra de Mudanças Climáticas do País de Gales, Julie James, enviou uma carta a Lula na qual pede, dentre outras coisas, a resolução deste caso e a demarcação dos territórios guarani.

Ela propõe que o governo federal tome ações para fazer uma reparação histórica pela construção da barragem de Itaipu, em 1982, e os impactos sofridos pelos indígenas.

"Tenho certeza de que você verá as oportunidades de realizar a transição para uma economia de zero carbono de maneiras que tragam justiça e maior igualdade para o povo do Brasil. Portanto, estou entrando em contato com você para solicitar seu compromisso em considerar o caso do povo guarani", finaliza a carta enviada.

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