O calendário oficial do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 ainda não foi divulgado pela Receita Federal, mas a expectativa do mercado é que o prazo de entrega comece em 15 ou 16 de março, com encerramento até 31 de maio, como nos últimos anos.
A declaração será obrigatória para contribuintes que tiveram rendimentos tributáveis superiores a R$ 33.888,00 no ano-base.
Para empresários que atuam como sócios de empresas, recebem pró-labore, distribuem lucros e dividendos ou realizam movimentações entre pessoa jurídica e pessoa física, a recomendação é iniciar a organização ainda em fevereiro, período em que são disponibilizados os informes de rendimentos por bancos e instituições financeiras.
“O Imposto de Renda revela muito mais do que obrigações. Ele expõe a estrutura de como a empresa é gerida, o grau de organização entre o CNPJ e o CPF do sócio e até o quanto o empresário está ou não pagando imposto a mais por falta de planejamento”, afirma Lucas Oliveira, sócio da LCS Contabilidade.
Riscos de inconsistência
Segundo o especialista, um dos erros mais recorrentes é a falta de separação adequada entre as finanças da empresa e as pessoais. A utilização de recursos da pessoa jurídica para despesas do sócio pode gerar inconsistências na declaração e aumentar o risco de retenção em malha fina.
Outro ponto sensível é a definição do pró-labore. Valores estabelecidos sem critério técnico podem resultar em recolhimento excessivo de INSS ou em divergências entre o rendimento declarado e o padrão de vida apresentado.
“A Receita cruza informações de várias fontes: despesas, cartão, aquisição de bens, movimentações bancárias, rendimento declarado, e agora cada vez mais dados de empresas com regime Simples ou Lucro Presumido. A lógica da fiscalização é o cruzamento digital, não mais auditoria física”, diz Oliveira.
Revisão da estrutura fiscal
Para empresas com mais de um sócio ou estrutura societária mais complexa, a atenção deve ser ampliada. Distribuições de lucros, reinvestimentos e antecipações de dividendos precisam estar alinhados com a contabilidade formal da empresa.
O especialista também aponta que 2026 marca o início do período de transição relacionado à reforma tributária, o que exige revisão da estratégia fiscal.
“A declaração do Imposto de Renda pode parecer só um documento, mas ela abre uma janela sobre toda a gestão da empresa. Um erro contábil que passa despercebido no dia a dia aparece ali com clareza — e com impacto real no bolso”, completa Lucas Oliveira.
O prazo final ainda não foi oficialmente confirmado, mas a tendência é que a Receita mantenha o encerramento até 31 de maio. O atraso na entrega implica multa mínima de R$ 165,74, além de juros sobre eventual imposto devido e possível bloqueio da restituição.
A orientação é que contribuintes com maior complexidade patrimonial ou múltiplas fontes de renda antecipem a preparação para reduzir o risco de inconsistências.