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Imperatriz do Forte celebra o sagrado em movimento no Carnaval 2026

Vitória News 02/02/2026 13:58
Imperatriz do Forte celebra o sagrado em movimento no Carnaval 2026

Fundada em 15 de dezembro de 1972, a G.R.E.S. Imperatriz do Forte entra no Sambão do Povo em 2026 reafirmando sua vocação cultural, espiritual e comunitária. Sob a presidência de Daniel Modesto e com criação do carnavalesco Marcus Paulo, a escola do bairro Forte São João apresenta o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, uma celebração da cultura afro-brasileira construída a partir de uma leitura decolonial do sagrado e da memória.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Imperatriz do Forte nasceu da mobilização de moradores e sambistas que organizaram o primeiro estatuto da agremiação ainda na década de 1970. O nome surgiu por sorteio, em referência à Imperatriz Leopoldinense, enquanto o complemento “do Forte” reafirma o vínculo territorial com o bairro de origem. As cores verde e rosa, inspiradas na tradição mangueirense, tornaram-se marcas permanentes da identidade visual e simbólica da escola.

Após um longo período de interrupção dos desfiles capixabas, a Imperatriz retornou à avenida em 1999. Em 2002, conquistou o título ao empatar em todos os quesitos com a Pega no Samba, consolidando seu retorno ao cenário competitivo. Com a inauguração do Sambão do Povo, passou a integrar definitivamente o principal palco do carnaval de Vitória e, em 2009, alcançou o Grupo Especial, firmando-se entre as grandes agremiações da cidade.

SESC PICASSO

Ao longo dos anos, a escola alternou participações entre os grupos, sempre apresentando enredos ligados à fé, à cultura e à história. Abordou temas internacionais, homenagens institucionais e patrimônios urbanos, como os 100 anos do Parque Moscoso. Em 2017, conquistou o vice-campeonato com “Gran Circo Imperatriz anuncia: Venha se divertir no picadeiro da emoção!”. Em 2018, sagrou-se campeã do Grupo de Acesso com “Sou Imperatriz, sou Capixaba com fé”, reafirmando a espiritualidade como eixo central de sua narrativa.

O protagonismo voltou a se destacar em 2024, quando a escola foi campeã do Grupo de Acesso A com “Nascido em berço forte, para sempre um eterno aprendiz”. Já no Grupo Especial, apresentou uma homenagem a Angola com “Só quem sabe onde é Luanda, saberá lhe dar valor”, aprofundando o diálogo com a ancestralidade africana.

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Em 2026, “Xirê: Festejo às Raízes” propõe uma abordagem que desloca o olhar tradicional sobre a diáspora africana. Em vez de enfatizar apenas a dor e a violência histórica, o enredo destaca o xirê, a roda e o festejo como expressões do sagrado em movimento. A narrativa valoriza a espiritualidade, os saberes ancestrais e a potência cultural dos povos africanos e afro-brasileiros, apresentando o passado como fonte de vida, resistência e reexistência.

Ao levar esse conceito à avenida, a Imperatriz do Forte reafirma o carnaval como espaço de educação cultural, afirmação identitária e celebração da fé. O desfile se constrói como um convite ao reconhecimento das raízes afro-brasileiras não como herança estática, mas como força viva que gira, canta e se renova no tempo.

Samba-enredo (trecho)

“Chamei os tambores, clamei as aldeias
Quando o sagrado move o mundo e faz girar
Meu ritual tem raiz iorubá
Luz que alimenta minha fé”

Fonte: PMV


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