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Impasse na Câmara de SP trava CPIs e Justiça poderá determinar investigações sobre habitação, enchentes e pancadões

FolhaPress 01/05/2025 11:50

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três das quatro investigações aprovadas pela Câmara Municipal de São Paulo neste ano poderão depender de decisões judiciais para seguirem em frente. Em todos os casos, vereadores governistas e de oposição não indicaram membros para compor as CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) de adversários dentro do prazo de 15 dias.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Sem acordo, alguns parlamentares decidiram entrar com ações judiciais para garantir as instalações das CPIs. Os temas a serem apurados são o uso indevido de incentivos da prefeitura para produção de habitação de interesse social, as enchentes no Jardim Pantanal (zona leste) e o incômodo provocado a vizinhanças pelos chamados pancadões —festas e bailes com música muito alta, cujo ritmo mais comum é o funk.

A outra CPI aprovada, sobre o uso de dados biométricos em troca de criptomoedas pela empresa Tools for Humanity, também não teve todos os membros indicados dentro do prazo, esgotado nesta quarta-feira (30).

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Exceção, a CPI dos dados biométricos não será judicializada, segundo a autora da proposta, vereadora Janaína Paschoal (PP). Ela afirma que "a dinâmica de sair do debate parlamentar e ir à Justiça foi o que apequenou o Poder Legislativo e agigantou o Judiciário".

O regimento da Câmara prevê que, na ausência de indicações dos líderes de partidos para os componentes das CPIs, as nomeações podem ser realizadas pelo presidente da Casa, o vereador Ricardo Teixeira (União Brasil).

Teixeira informou nesta quarta, porém, que não faria as indicações e que chamaria lideranças partidárias para discutir a questão na semana que vem.

Com o impasse, a Câmara, que tem a obrigatoriedade de manter duas CPIs simultâneas –e que pode ampliar esse número para até cinco– não possui nenhuma investigação em andamento atualmente.

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O embate no entorno das CPIs teve início com a decisão da base do prefeito Ricardo Nunes (MDB) de não indicar membros para as duas primeiras comissões aprovadas, sobre as enchentes no Jardim Pantanal e das habitações sociais. O prazo para as instalações terminou no último dia 17.

Vereadores do PT e do PSOL, que fazem oposição a Nunes, recorreram à Justiça para tentar garantir a criação das comissões. Diferentes posições foram tomadas em cada uma delas até o momento.

No caso da habitação, o prazo para a instalação foi provisoriamente suspenso até que uma decisão judicial determine ou não a instalação. Sobre as enchentes, o Judiciário havia prorrogado para esta quarta a data-limite para indicação dos membros.

Para tentar também garantir nova extensão do prazo para a CPI do Jardim Pantanal até que o mérito seja discutido, o vereador Alessandro Guedes (PT) apresentou nesta quarta um novo pedido ao Judiciário. "Queremos equiparar a [decisão sobre a] CPI do Pantanal à da habitação de interesse social", afirma Guedes.

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Vereadores de oposição alegam que partiu do prefeito Ricardo Nunes a ordem para barrar as investigações consideradas indigestas para o Executivo. Líder do governo, o vereador Fábio Riva (MDB) nega essa articulação.

Em retaliação, os opositores decidiram não indicar membros às CPIs que não enfrentam objeção do governo, ou seja, a da coleta de dados biométricos e a dos pancadões, cujo prazo para instalação também terminou nesta quarta.

Rubinho Nunes (União Brasil) afirma que apresentará um mandado de segurança para garantir a CPI dos pancadões, da qual o vereador é autor. Isso deverá colocar nas mãos do Judiciário três decisões sobre investigações da Câmara.

O parlamentar é também autor da proposta para investigar os incentivos a construtoras. Rubinho foi eleito por um dos partidos da base de apoio do prefeito, mas ele considera o seu mandato independente.

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