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Hospital do Servidor do Estado de SP enfrenta precarização, diz Promotoria

FolhaPress 10/12/2025 07:53

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com o orçamento cada vez mais apertado, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) enfrenta precarização no atendimento e falta de recursos. É o que afirmam dois ofícios do Ministério Público de São Paulo enviados à gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nos documentos, obtidos pela Folha de S.Paulo, a promotora Dora Strilicherk afirma que o governo "dá as costas para a manutenção do instituto". A omissão, ela diz, tem inviabilizado "a prestação de serviço de saúde de forma digna e integral no hospital de alta complexidade (o Hospital do Servidor Público Estadual, na capital) bem como na rede credenciada."

Relatos de usuários e conselheiros do Iamspe coadunam com a posição da promotoria. No interior, há queixas de filas que vão de 30 a 90 dias para alguns exames, e de que usuários precisam se mover entre cidades mais de 100 quilômetros de distantes para alguns procedimentos.

Em nota, a instituição afirma que expandiu a rede credenciada desde 2022, e que investiu mais de R$ 1,1 bilhão em estrutura. Diz ainda que realiza, atualmente, 18 editais para a contratação de hospitais e clínicas.

Na capital paulista, o Ministério Público afirma que o Hospital de Servidor não consegue atualizar equipamentos e repôr pessoal por falta de recursos. O Governo de São Paulo foi procurado por meio da Secretaria de Gestão, que afirmou que a resposta seria enviada pelo Iamspe.

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O Iamspe é responsável pela assistência aos servidores estaduais de São Paulo —o plano de saúde do funcionalismo paulista. Ele atende, por exemplo, agentes das polícias civil e militar, professores e servidores da Alesp (Assembleia Legislativa), além de aposentados, dependentes e agregados.

Segundo ofícios do Ministério Público, nem mesmo os valores previstos nas leis orçamentárias anuais, as loas, estão sendo repassados para o instituto.

Segundo um dos ofícios, os aportes do estado de 2020 a 2025 representaram, respectivamente, 28%, 6,5%, 12%, 10% ,19%, 14%, das receitas do Iamspe. Em 2026, a LOA (Lei Orçamentária Anual) prevê um repasse de 11% do estado para o Instituto, um novo corte.

A maior fonte de receita do Iamspe parte da contribuição dos servidores, montante que circunda os R$ 2 bilhões anuais. A lei que cria o instituto determina que o restante do custeio necessário deve partir do estado.

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"Como se vê, o valor repassado pelo Tesouro não representa nem um quarto (25%) da dotação orçamentária total do Iamspe. Comparados, os exercícios de 2020 e 2026, o aporte do Tesouro será reduzido em 17%", diz trecho do ofício.

Com a verba do estado cada vez menor, o instituto tem perdido unidades da rede credenciada no interior. Um dos exemplos é a Santa Casa de Araçatuba, que rompeu o contrato em 2019. Desde então, a cidade está sem atendimento hospitalar para usuários. Por telefone, uma funcionária do hospital confirmou a interrupção do convênio e disse que tratativas para o retorno estão travadas.

Em abril do ano passado, beneficiários do Hospital do Servidor fizeram uma manifestação em frente à unidade, que fica na Vila Clementino, na zona sul. À época, pacientes relataram longas esperas por atendimento, superlotação, problemas de estrutura e limpeza da unidade.

Faustina Amorin da Silva, 84, é servidora aposentada da educação e contribuinte do Iamspe desde 1966. Ela diz que a demora para conseguir diversos serviços a obrigou a contratar um plano de saúde à parte. "Não é justo gastarmos com saúde depois de uma vida toda contribuindo religiosamente", declara a aposentada, que lidera a Comissão Consultiva —grupo sem poder deliberativo— do Iamspe na região de Araçatuba.

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Para fazer uma colonoscopia, por exemplo, usuários daquela região precisam ir até São José do Rio Preto ou Presidente Prudente, cidades a mais de 100 quilômetros de distância. O estado afirma que abriu três editais para contratação de clínicas em Araçatuba.

Em São José do Rio Preto, há uma sobrecarga das unidades que atendem o plano por conta da demanda, que abarca usuários de outras regiões. "O prazo para um exame de laboratório aqui vai de 30 a 90 dias", diz Milton Carretero, 76, que presidiu a Comissão Consultiva na região de 2015 a 2025.

Milton relata que deixou a gestão da comissão por não dar conta de atender a quantidade de usuários que o procuravam pedindo ajuda. "Essa é uma situação já conhecida por aqui. Todo mundo vem para cá, porque apesar da demora o atendimento é bom".

À Folha de S.Paulo a promotora Dora Strilincherk disse que a situação se degrada desde 2014, e que deve piorar no próximo ano. O prognóstico tem como base a impossibilidade de reajuste à rede credenciada. "Quando não reajustado, [os credenciados] pedem descredenciamento e as filas tendem a se agravar".

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