Bombardeios continuam, Israel mantém controle sobre grande parte do território e impasses sobre desarmamento do Hamas dificultam avanço do plano de paz
A guerra na Faixa de Gaza completa três anos sem uma solução política consolidada e com a situação humanitária ainda crítica. O conflito atual começou após os ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Embora um cessar-fogo tenha entrado em vigor em outubro de 2025, ataques aéreos, bombardeios e disparos continuaram ao longo do último ano, enquanto Israel mantém presença militar sobre grande parte do território palestino.
Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos morreram e 147 ficaram feridos, segundo dados citados pelo Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários. Desde o início do cessar-fogo, mais de 1,4 mil palestinos morreram em ações relacionadas ao conflito.
A situação humanitária também permanece grave. Milhões de pessoas continuam dependendo de ajuda para alimentação, abrigo, água e atendimento médico, enquanto a reconstrução avança de forma limitada.
A produção de refeições quentes deve diminuir diante da falta de financiamento para as operações humanitárias. A estimativa é de que cerca de 1,4 milhão de pessoas enfrentem níveis de insegurança alimentar aguda no segundo semestre deste ano.
Impasse sobre desarmamento
Um dos principais obstáculos para o avanço do plano de paz está relacionado ao desarmamento do Hamas e à retirada das forças israelenses.
Os dois processos estão diretamente ligados nas negociações. Israel condiciona uma retirada mais ampla ao desarmamento das organizações armadas palestinas, enquanto a implementação das etapas previstas no acordo segue incompleta.
O plano também prevê a transferência da administração civil de Gaza para um comitê palestino de caráter tecnocrático, sem ligação direta com partidos.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam, porém, que a transição política e a reconstrução permanecem travadas.
O professor Bruno Huberman, da PUC-SP, afirmou que integrantes do comitê responsável pela reconstrução permanecem fora de Gaza e apontou dificuldades para a entrada do grupo no território.
Milícias e disputa pelo controle de Gaza
Outro elemento que aumenta a complexidade do cenário é a presença de grupos armados que disputam espaço com o Hamas.
Em 2025, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reconheceu apoio a grupos palestinos armados contrários ao Hamas, argumentando que a medida teria o objetivo de reduzir os riscos para soldados israelenses.
A professora de relações internacionais Isabela Agostinelli avalia que, apesar da redução da intensidade dos ataques em relação aos períodos mais violentos da guerra, a situação continua distante de uma normalização.
Para ela, o cessar-fogo não foi suficiente para interromper as mortes ou criar condições para a recuperação do território.
Reconstrução ainda não avançou
Grande parte da população permanece deslocada, vivendo em tendas ou abrigos temporários instalados entre áreas destruídas.
A reconstrução de moradias, hospitais, escolas e infraestrutura básica ainda ocorre em ritmo limitado diante da escala dos danos e das restrições existentes.
Além da Faixa de Gaza, a Cisjordânia também registra aumento das tensões desde outubro de 2023, com expansão de assentamentos israelenses e episódios de violência envolvendo colonos e palestinos.
O cenário mantém distante uma solução definitiva para o conflito. Três anos depois do início da guerra, Gaza continua marcada por destruição, deslocamentos, insegurança alimentar e incertezas sobre o futuro político do território.