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Grupo de teatro vai propor à prefeitura projetos que incluem praça e moradias na Luz, em SP

FolhaPress 11/06/2025 12:55

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A companhia teatral Mungunzá, que criou e administra o Teatro de Contêiner, na Luz, deve entregar nos próximos dias para gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) duas propostas para sua permanência no terreno público que ocupa desde 2016.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

A Prefeitura de São Paulo notificou os artistas no fim do mês passado para que entregassem a área num prazo de 15 dias.

O prazo se encerrou na segunda-feira (9), e as integrantes do coletivo Tem Sentimento, que foi acolhido pelo teatro, estão em vigília durante a noite para evitar o despejo.

A prefeitura afirma que precisa do terreno para a construção de um "hub de moradias sociais". Os artistas lembram que, neste ano, a prefeitura já derrubou o teatro Vento Forte, que era tombado e funcionava dentro do parque do Povo, no Itaim Bibi.

Junto com o arquiteto Luiz Henrique Boschi Grecco, que já trabalhou com a companhia em outros momentos, foram criadas as duas opções para a ocupação do terreno, que fica numa área para onde a cracolândia se deslocou nos últimos anos. No mês passado, após um esvaziamento do principal ponto de concentração, na rua dos Protestantes, os usuários voltaram a se espalhar pela região central da cidade.

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Em uma delas, o teatro permanece onde está e é construída uma praça no restante do terreno, com arquibancadas, um espaço para apresentações ao ar livre, quadra, playground e o plantio de novas árvores. "Se a prefeitura concordar com esse projeto, a gente se compromete a fazer toda a zeladoria do espaço", afirma Marcos Felipe, um dos atores da companhia.

A outra possibilidade inclui um prédio com um vão livre no térreo, que permitiria a manutenção do teatro e a construção de áreas de lazer, como quadra e playground, ao lado do prédio. "O projeto teria uma laje de 224 metros quadrados, o que significaria uma área de 200 metros quadrados a ser distribuída entre as unidades habitacionais por andar", diz Grecco.

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No projeto, ele sugere que o prédio tenha seis andares, com base na altura da maioria dos edifícios da região. "A manutenção da praça atende ao conceito de que habitação não se resume a ter um teto, mas em criar áreas de convivência, cultura e lazer para as pessoas", diz o arquiteto. "O projeto seria também um respiro para quem vive em volta também", completa.

Marcos Felipe destaca que muitos prédios em volta estão atualmente com o comércio projetado para o térreo vazio e protegido por tapumes. A instalação do fluxo, como é chamada a concentração de usuários, e de uma tenda da saúde também afastou as crianças que antes brincavam em um playground construído pela companhia. "Cerca de 50 crianças frequentavam aqui todos os dias", afirma.

O conceito do teatro junto com uma praça no mesmo terreno é uma reivindicação histórica do grupo. Eles chegaram a entregar um projeto para a prefeitura em 2019, com a construção de um espaço de lazer e cultura, que funcionaria no mesmo terreno, do lado oposto ao teatro. A ideia incluía ainda um espaço para a instalação de um circo.

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A proposta previa também a manutenção do prédio, onde funcionou um hotel no passado, como um centro de formação e atendimento com várias entidades sociais. "Seria uma versão orgânica da cidade que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou recentemente com o nome de Casa Zero 11", diz o ator.

O prédio, que não é tombado, foi preservado na gestão do prefeito Gilberto Kassab (na época no DEM, hoje no PSD), quando foi iniciado o projeto Nova Luz. Na ocasião, a prefeitura considerou que o edifício poderia ser preservado por razões estéticas.

A área de lazer não é uma demanda apenas do grupo. No mês passado, o vice-prefeito Mello Araújo (PL) chegou a prometer a comerciantes da Santa Efigênia e moradores da região que iria atuar dentro da administração municipal para que no local fosse construída uma praça para o lazer das famílias da região.

A prefeitura chegou a propor a mudança do grupo para um terreno na rua Conselheiro Furtado, 150, na Liberdade. Além de não haver espaço para a montagem dos contêineres na disposição atual, os artistas dizem que o imóvel iria retirá-los da região onde atuam. O projeto é premiado nacional e internacionalmente por seu padrão arquitetônico.

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