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Grupo da PUC que chamou alunos da USP de 'cotistas' e 'pobres' revidava xingamentos, diz envolvida

FolhaPress 19/11/2024 19:14

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os estudantes da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) gravados chamando alunos da USP (Universidade de São Paulo) de ''cotistas" e "pobres" estavam revidando xingamentos, afirma à reportagem uma das envolvidas. Ela pediu para não ser identificada.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Segundo ela, a confusão nos Jogos Jurídicos estaduais, no último sábado (16), começou quando a torcida da Faculdade de Direito da USP explodiu fogos de artifício dentro no ginásio. Os representantes da PUC teriam reclamado, e uma troca de ofensas iniciada.

Os alunos da USP, relata a estudante, primeiro miraram as mulheres, gritaram termos como "putinha" e "vadia" e fizeram menções de cunho sexual aos seios delas. Depois, teriam começado a chamar os alunos da PUC de burros, insinuando que eles não tiveram capacidade de conseguir aprovação na Fuvest.

Foi quando os alunos da PUC, conforme a envolvida, responderam ser fácil conseguir uma vaga por meio de cotas e que os adversários são pobres. Somente essa parte foi gravada.

SESC PICASSO

A Faculdade de Direito da PUC instaurou nesta segunda-feira (18) uma comissão para decidir pela expulsão ou não dos estudantes gravados ofendendo alunos da USP. O processo deve ser encerrado em 40 dias.

Os fatos, para a gestão da faculdade, são graves. Porém, todos os envolvidos poderão apresentar ampla defesa, disse seu diretor, Vidal Serrano Nunes Júnior.

A unidade, em nota, se comprometeu a responsabilizar os envolvidos de maneira "justa e exemplar". "Essas manifestações são absolutamente inadmissíveis e vão de encontro aos valores democráticos e humanistas historicamente defendidos por nossa instituição", disse o texto.

A Faculdade de Direito da USP também abriu sindicância sobre a ocorrência.

Vídeo do momento de provocação mostra algumas pessoas na torcida do direito da PUC gritando os termos, enquanto fazem gestos remetendo a contagem de dinheiro e proferem xingamentos. O mesmo vídeo, publicado em rede social pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo, também mostra a reprovação de estudantes do Largo São Francisco.

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O centro acadêmico XI de Agosto, do direito da USP, classificou as provocações como racistas e aporofóbicas (termo que indica aversão a pessoas pobres) e exigiu que a organização dos Jogos Jurídicos Estaduais puna o ato e as pessoas diretamente envolvidas.

"É nas academias de direito que se formam os profissionais que deveriam operar contra as injustiças, injúrias e preconceitos de classe e raciais", ressaltou o centro acadêmico. "Atos como esses explicitam a violência que estudantes cotistas enfrentam ao ocupar espaços que historicamente lhes foram negados."

A Associação Atlética Acadêmica 22 de Agosto, da PUC, também veio a público para repudiar o caso. A entidade afirma que ajudou a identificar os estudantes que fizeram as ofensas, e os proibiu de acessar tanto partidas quanto festas dos Jogos Jurídicos. Ela também se comprometeu a "comunicar o ocorrido e solicitar que sejam tomadas as providências cabíveis no âmbito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo".

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Quatro estudantes gravados proferindo os xingamentos aos adversários da USP foram demitidos de seus empregos em escritórios de advocacia. As informações são da coluna Mônica Bergamo, que, até a publicação, não conseguiu falar com os envolvidos.

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo analisam o caso.

Na Promotoria, a ocorrência foi apresentada pela vereadora Luana Alves e a deputada federal Sâmia Bomfim, ambas do PSOL-SP.

Elas afirmam que as ofensas proferidas transcendem o ambiente de rivalidade esportiva e configuram um comportamento discriminatório que associa a condição socioeconômica e racial de estudantes cotistas a uma suposta inferioridade. "O ato de ridicularizar os atletas universitários, utilizando referências às cotas e à pobreza, como se tais elementos fossem motivo de escárnio, tem como objetivo reforçar hierarquias raciais."

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