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Governo quer vetar formação de professores 100% a distância

FolhaPress 05/12/2023 13:40

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Educação, Camilo Santana, disse nesta terça-feira (5) que o governo Lula (PT) quer proibir cursos de formação de professores 100% a distância. A afirmação reforça o clima de combate da gestão contra esse tipo de graduação.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Na semana passada, o governo já havia suspendido os processos de credenciamento de novos cursos de ensino superior a distância em 17 áreas, entre as quais, todas as licenciaturas.

Camilo Santana tem expressado preocupação com a qualidade de graduações não presenciais e já se colocou contrário à modalidade para formação de professores. Por outro lado, as graduações remotas são uma das maiores apostas de expansão do setor privado de educação superior.

Esta foi a primeira vez, no entanto, que o ministro falou em barrar esse formato. "Vamos reavaliar todos os cursos de educação a distância, não permitindo mais que cursos de licenciaturas sejam 100% EAD [educação a distância]", disse o ministro durante entrevista para falar do Pisa 2022.

SESC PICASSO

O ministro associou o combate a cursos online para formação de professores como uma das medidas para melhoria da educação brasileira e, por consequência, das médias do Brasil no Pisa. Nesta edição, o país oscilou negativamente nas três áreas avaliadas (matemática, leitura e ciências) e segue estagnado, entre os últimos colocados.

"Estamos avaliando, é estudo técnico, mas a ideia do ministério é não permitir 100% EAD. Vai ser 50%, 30%, isso vai ser definido", disse.

Dos 789.115 ingressantes em licenciaturas em 2022, mais de 650 mil foram para instituições de ensino privadas, sendo que 93,7% deles optaram por cursos a distância nessas faculdades. A modalidade de EAD já recebe dois a cada três estudantes que ingressam no ensino superior no Brasil, em todos os cursos.

CONTADOR - BONUS

Uma portaria do MEC (Ministério da Educação) suspendeu, no último dia 30, os processos de credenciamento de novos cursos de ensino superior a distância em 17 áreas, entre elas direito, medicina, além das licenciaturas.

Essa suspensão vale por 90 dias. Segundo a portaria publicada no Diário Oficial, o ato tem como objetivo aguardar a "proposta de regulamentação de oferta de cursos de graduação na modalidade de educação a distância". A pasta realizou uma consulta pública sobre o tema e recebeu 14.736 contribuições —mas o resultado não foi divulgado.

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