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Governo Lula fatia divulgação de indicador de educação e não mostra resultados de alfabetização

FolhaPress 14/08/2024 13:33

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de a alfabetização ser prioridade na área da educação para o governo Lula (PT), o MEC (Ministério da Educação) não divulgou os dados da principal avaliação federal da educação relacionados a essa etapa. A gestão repetiu feito do governo Michel Temer (MDB), que em 2018 também fatiou a divulgação.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Foram conhecidos nesta quarta-feira (14) o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2023 em entrevista coletiva à imprensa em Brasília. O indicador é calculado para o anos iniciais e finais do ensino fundamental e também para o ensino médio.

Além de não fornecer os dados de alfabetização, o MEC (Ministério da Educação) só apresentou médias gerais e só no fim da tarde desta quarta (14) é que haverá o acesso às informações por escolas e municípios.

O Ideb é composto pelo desempenho dos alunos em uma prova, o chamado Saeb, de português e matemática e pelas taxas de aprovação escolar. Esses dados também foram levados a público.

Embora não seja calculado Ideb para o 2º ano, alunos dessa série fazem a avaliação do Saeb e os resultados refletem a alfabetização das crianças. Mas o governo Lula decidiu não fazer, neste momento, a sua divulgação.

O ministro Camilo Santana lançou no meio do ano passado um novo pacto de alfabetização com o objetivo de melhorar os resultados do país. Havia a promessa, inclusive, de que a prova para o 2º ano fosse de forma censitária, como é nas outras séries —o que permite dados por escolas.

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Isso não ocorreu com relação ao Saeb. Somente uma amostra de escolas fez a avaliação no 2º ano, a exemplo de uma prova de ciências para alunos do 9º ano. Os resultados de ciências também não foram conhecidos.

O Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) é a avaliação da educação de maior confiança em termos técnicos, como o de comparabilidade. O sistema foi instituído em 1990, antes mesmo do início do Ideb (calculado a partir de 2007).

Em maio deste ano, o governo divulgou resultados de avaliações de alfabetização feitas no fim de 2023 por estados e cujos dados foram tratados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Internamente, técnicos do instituto questionaram a confiabilidade desses dados, sobretudo em comparação ao Saeb.

Segundo relatos feitos à reportagem, há dúvidas internas sobre essa parametrização e a comparabilidade das avaliações feitas em 2023 com os resultados do Saeb, uma vez que teria havido provas com diferentes condições de aplicação e número de itens diversos. O MEC garante que os dados trazem confiança.

Na ocasião, o governo apresentou esses dados, em evento com Lula, como os "primeiros resultados" do novo pacto pela alfabetização da gestão. Mas não é possível atribuir os resultados a efeitos da nova política federal uma vez que as ações do programa só passaram a chegar nas escolas neste ano.

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Os dados indicaram que, no passado, 56% das crianças estavam alfabetizadas, contra 36% em 2021, durante a pandemia. Em 2019, esse percentual era de 55%. O governo colocou como meta chegar a 80% nesse indicador.

Questionado, o ministro Camilo Santana defendeu que a avaliação feita pelos estados e divulgada em maio deva ser anual e censitária. "São metodologias diferentes", disse o ministro. "Não impede que o Inep divulgue o Saeb".

Em 2018, o Ministério da Educação do governo Temer divulgou em um primeiro momento apenas resultados de aprendizagem, que compõem o Ideb. Os resultados do indicador de 2017 só foram conhecidos dias depois.

Na ocasião, essa medida foi visto com uma estratégia do governo Temer de direcionar, no primeiro momento, a repercussão pública a resultados mais confortáveis ao MEC.

No governo Dilma Rousseff (PT), houve a criação de um pacto de alfabetização e, com ele, uma avaliação censitária a todos os alunos. Essa prova foi aplicada em 2013 e 2014, interrompida em 2015 por falta de recursos, e voltou a ser aplicada em 2016.

Em 2016 foi a última vez em que uma avaliação censitária de alfabetização ocorreu. Na ocasião, mais da metade dos alunos do 3º ano do ensino fundamental apresentaram nível insuficiente no exame.

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Uma prova com essa finalidade só voltou a ser realizada em 2019 e 2021, no governo Bolsonaro, mas também com aplicação a uma amostra de escolas. E a partir de 2019 a série avaliada passou a ser o 2º ano do ensino fundamental, em consonância ao previsto na Base Nacional Comum Curricular.

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ENTENDA O IDEB

O que é?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica foi criado pelo Inep em 2007 para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino.

O indicador é calculado para cada escola, município e estado, além de ter médias nacionais.

Como é calculado?

O Ideb é formado por dois fatores:

1 - desempenho dos estudantes no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica); as provas de matemática e português são aplicadas a cada dois anos

2 - taxas de aprovação escolar

Com esses dois componentes é calculado o índice, que varia de 0 a 10.

O Ideb estabelece metas?

Sim. Quando o indicador foi criado, foram estabelecidas metas para ser alcançadas até 2021: para os anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano) a perspectiva era que o país alcançasse uma média igual ou superior a 6. Para os anos finais (do 6º ao 9º ano), a meta era alcançar a média de 5,5

Já ara o ensino médio, a meta era de 5,2 pontos. Cada escola também teve metas calculadas individualmente.

Como as metas não houve a formulação de um novo modelo do Ideb, só há metas até 2021. Assim, nesta edição de 2023 o indicador não há metas para serem alcançadas.

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