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Governo errou ao ir contra PL Antifacção e terá que se explicar à sociedade, afirma Motta

FolhaPress 19/11/2025 13:05

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quarta-feira (19) que o governo Lula (PT) errou ao se posicionar contra a aprovação do PL Antifacção e que terá que se explicar à sociedade.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

"Penso que o governo ter ficado contra [o texto] foi um erro. Primeiro, porque está indo contra um anseio da sociedade. Você acha que o cidadão está satisfeito com a segurança pública do país? Acha que a dona de casa que vê seu filho muitas vezes sair para ir à escola ou trabalhar sem saber se ele volta quer saber qual o número da lei, quem é o presidente da Câmara ou o relator da matéria? Não", disse Motta em entrevista à Jovem Pan.

Na terça (18), os deputados aprovaram o texto por 370 a 110 votos, num revés para o governo, que tentou adiar a votação por discordar das mudanças feitas ao texto. Durante a votação, tanto governo quanto PT orientaram contra a aprovação da matéria e fizeram duras críticas ao texto que estava em discussão.

Aliados de Lula e integrantes do governo acusaram o relator do projeto, Guilherme Derrite (PP-SP) de ter descaracterizado o texto enviado pelo Executivo.

A posição do governo e da esquerda virou munição de ataque para o centrão e a direita no Congresso, que deverão usar esse episódio para desgastar a imagem de Lula, sobretudo às vésperas de ano eleitoral.

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Na entrevista, o presidente da Câmara disse ainda que é papel do Legislativo alterar propostas enviadas pelo governo federal e afirmou que a Casa "fez história" com a aprovação "do pacote mais duro que a Câmara já aprovou na área da segurança pública".

Em outro momento, afirmou que a votação representa uma vitória da sociedade e que "o governo tem que se explicar hoje à sociedade brasileira por que ficou contra". "Porque para o cidadão, o que importante é o que de fato irá acontecer na prática para melhorar a qualidade da segurança pública no Brasil."

Com minoria na Casa, aliados de Lula passaram a associar a proposta ao objetivo de enfraquecer a atuação da Polícia Federal e de blindar investigações feitas pela corporação, numa tentativa de mobilizar a opinião pública contra os textos de Derrite —resgatando estratégia usada na defesa da agenda de justiça tributária, com críticas ao Congresso.

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Na entrevista, Motta falou sobre as críticas de integrantes do governo ao texto, entre eles de Fernando Haddad. Na manhã desta quarta, o ministro da Fazenda afirmou que o projeto, tal qual aprovado, "asfixia financeiramente a Polícia Federal e não o crime organizado".

O presidente da Câmara rechaçou que a proposta tinha intenção de esvaziar as competências da corporação e afirmou que integrantes do governo terão "muita dificuldade para construir uma narrativa contra um projeto que atende a ampla maioria da sociedade brasileira".

O parlamentar disse ainda que respeita quem divergiu da matéria e quem votou contra, mas afirmou avaliar que essas pessoas não tiveram humildade de ter analisado o relatório de forma técnica e reconhecer os avanços apresentados. "Eles terão bastante dificuldade de poder criticar uma matéria que vai justamente ao encontro daquilo que a população espera."

Ele também ressaltou que atendeu a pedidos feitos pelo ministro da Fazenda e da Receita Federal por mudanças no parecer, disse que é do processo democrático o Legislativo alterar propostas do Executivo e afirmou ficar triste com essas declarações. "Fico triste com essas declarações porque não quisemos em nenhum momento asfixiar a PF, pelo contrário."

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Como a Folha de S.Paulo mostrou, o presidente da Câmara intensificou a participação em programas jornalísticos e escalou aliados para defender publicamente o texto, numa tentativa de frear desgastes a sua imagem e diluir as críticas que vinha recebendo.

Por outro lado, parlamentares da base aliada e integrantes do Palácio do Planalto criticaram a condução de Motta no processo de discussão dessa proposta, reforçando sentimento de desconfiança do governo com o presidente da Câmara. Há uma avaliação de que Motta é oscilante, dando sinalizações dúbias.

Após a votação da matéria, na noite de quarta, o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), deixou evidente o tensionamento do governo com Motta, afirmando que a apovação da matéria gera uma "crise de confiança" do Planalto com o parlamentar.

"É claro que tem uma crise aqui de confiança, é claro que todo mundo sabe que o presidente [Lula] reclamou muito, é um projeto de autoria do Poder Executivo", afirmou Lindbergh.

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