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Governo do RJ pediu blindados da Marinha em janeiro, e Defesa atendeu parcialmente

FolhaPress 28/10/2025 19:56

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Governo do Rio de Janeiro pediu ao Ministério da Defesa fornecimento de veículos blindados e apoio logístico da Marinha para intervenções policiais em áreas consideradas de risco.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O pedido faz parte de um ofício assinado em 28 de janeiro pelo governador Cláudio Castro (PL) e endereçado ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, a que a reportagem teve acesso.

No documento, Castro cita um outro ofício que teria sido mandado pela Secretaria de Estado de Polícia Civil para solicitar a cooperação.

Em resposta, Múcio assina um ofício endereçado ao governador passando o contato do general de Divisão Alcio Alves Almeida e Costa, vice-chefe de operações conjuntas.

Castro afirmou nesta terça-feira (28) que teve negados três pedidos para que as Forças Armadas ajudassem em operações policiais no estado, criticou o governo Lula (PT) e chamou de maldita a ADPF 365, determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

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A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental impôs medidas durante a pandemia, como autorização para operações policiais apenas em casos urgentes. A determinação atendia a um pedido do PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Castro e o núcleo de Segurança Pública do estado afirmam que, graças a essa decisão do Supremo, lideranças do tráfico de outros estados foram para o Rio de Janeiro.

Uma ação policial realizada nesta terça deixou ao menos 64 pessoas mortas no Rio de Janeiro, na operação mais letal da história do estado. Segundo o governo, as forças de segurança atuam nos complexos do Alemão e da Penha contra a expansão territorial do Comando Vermelho.

Até agora, a operação mais letal da história do Rio era o massacre do Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 mortos, entre eles um policial. Três das quatro ações mais violentas da história fluminense foram realizadas sob Castro.

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Em nota nesta terça, o Ministério da Defesa afirmou que a solicitação do governo do Rio de Janeiro só poderia ser atendida no contexto de um GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e que para isso seria necessário um decreto assinado pelo presidente Lula.

No texto, a pasta federal confirma que o governo do Rio encaminhou ofício solicitando o apoio logístico da Marinha (em janeiro de 2025), por meio do fornecimento de veículos blindados e que o pedido foi submetido à análise da AGU (Advocacia-Geral da União).

Mas, segundo o ministério, o ofício estava relacionado um episódio ocorrido em dezembro de 2024, quando uma capitã de Mar e Guerra da Marinha morreu ao ser atingida por uma bala perdida no Hospital Naval Marcílio Dias.

"Naquele momento, a Marinha posicionou veículos blindados no perímetro do hospital, respeitando o limite legal de 1.400 metros em torno de instalações militares, medida voltada à segurança da área e dos militares", diz o Ministério da Defesa.

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"A AGU emitiu parecer técnico indicando que a solicitação do Governo do RJ somente poderia ser atendida no contexto de uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem, o que demandaria decreto presidencial", afirma o texto.

Em 12 de dezembro do ano passado, blindados da Marinha circularam no entorno do Hospital Naval Marcílio Dias, localizado no bairro Lins de Vasconcelos, na zona norte, dois dias depois de a oficial médica Gisele Mendes, 55, morrer após ser atingida por uma bala perdida enquanto trabalhava na unidade.

Em nota, a corporação informou na época que a operação tinha o "intuito de garantir a segurança da tripulação e dos usuários do Hospital Naval Marcílio Dias" e que a ação seria mantida por tempo indeterminado.

De acordo com a Marinha, 250 militares iriam atuar no entorno do hospital, com apoio de 18 veículos do Corpo de Fuzileiros Navais, como viaturas blindadas Piranha e carros Lagarta Anfíbio.

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