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Governo de SP declara escassez hídrica nas bacias do Alto Tietê e do rio Piracicaba

FolhaPress 24/09/2025 17:38

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A SP Águas, agência reguladora de águas do estado de São Paulo, declarou nesta quarta-feira (24) escassez hídrica nas bacias hidrográficas do Alto Tietê e do rio Piracicaba —esta última abastece o sistema Cantareira. Com a decisão, o órgão suspendeu a emissão de novas outorgas de água até que os níveis dos reservatórios sejam recompostos.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

Nesta quarta, a bacia do Alto Tietê está com volume útil de 25,7% de sua capacidade, enquanto o sistema Cantareira está com 29,4%. Os dois sistemas representam 80% do volume de todo o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que conta com sete sistemas e está atualmente com 32,3% do seu volume.

Segundo Camila Viana, presidente da SP Águas, essa nova decisão não afetará o abastecimento da população da região metropolitana. Somente os pedidos de novas outorgas é que deixarão de ser analisadas.

Outorgas são permissões legais para a captação e uso da água dos reservatórios, que podem ser feitas por indústrias, serviços, irrigação agrícola, entre outros.

Quem já possui autorização continuará captando sem problemas, mas a SP Águas afirma que aumentará a fiscalização para coibir abusos e irregularidades no uso da água. De qualquer forma, destaca, qualquer alteração no funcionamento das outorgas vigentes será comunicada com antecedência aos interessados.

SESC PICASSO

"Estamos atuando com rigor, adotando medidas com planejamento e antecipação, para que possamos enfrentar essa estiagem com o menor impacto possível sobre as pessoas. O Sistema Integrado Metropolitano está em 32,3%, ainda acima dos 30% que configuram estágio crítico. Mas temos casos de reservatórios do sistema onde a redução foi maior, por isso estamos atuando para proteger esses recursos", afirma Camila Viana.

A suspensão das outorgas não tem prazo para definido para acabar. Viana afirma que será até que se perceba uma melhora nas condições climatológicos e hidrológicas dos reservatórios.

Na bacia do Alto Tietê há um total de 342 outorgas ativas para captação de água de superfície, somando 89,4 m³/s.

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Desse volume, abastecimento público responde por 80,1 m³/s (89,5% do total), distribuídos em 55 usos. Indústria e serviços utilizam 5 m³/s (5,6% do total), em 75 usos. Irrigação soma 4,2 m³/s (4,7% do total), em 174 usos. E as demais finalidades correspondem a 0,09 m³/s (0,2% do total), em 38 usos.

A presidente da SP Águas destaca que a decisão desta quarta se soma às demais medidas que têm sido tomadas desde o fim de agosto para remediar a situação de escassez hídrica nos mananciais. Para tentar controlar a situação, a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo) determinou à Sabesp duas ações imediatas para diminuir a vazão do volume do sistema Cantareira. A primeira foi a redução da pressão nos canos por oito horas no período noturno. Depois, a redução do volume retirado do reservatório, de 31 m³/s para 27 m³/s.

Na semana passada, a Sabesp anunciou a ampliação de oito para dez horas por dia o tempo de redução de pressão.

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Na primeira fase da medida, iniciada em 27 de agosto, segundo a Sabesp, houve a economia de 7,257 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer mais de 800 mil pessoas durante um mês, equivalente a uma cidade como São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A medida evitou uma queda maior do nível dos mananciais. No entanto, diante dos eventos climáticos e cenário de chuvas abaixo do esperado, foi preciso ampliar o período para a recuperação dos reservatórios.

A medida foi apresentada pela SP Águas na segunda-feira (22) durante reunião de monitoramento da situação, coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pela Defesa Civil, e foi aprovada no conselho da agência na tarde desta terça (23).

Ela segue o Protocolo de Escassez Hídrica aprovado pela agência, com o objetivo de orientar a atuação no que se refere às medidas preventivas e de contingência a serem adotadas de acordo com os diferentes níveis de disponibilidade hídrica. Para valores entre 30% e 20% de volume útil, é acionado o estágio crítico, que prevê a suspensão de outorgas, diminuição de vazões outorgadas, intensificação da fiscalização em locais críticos, entre outras medidas.

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