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Governo atende STF e indígenas e regulamenta poder de polícia da Funai

FolhaPress 03/02/2025 10:33

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) assinou nesta segunda-feira (3) um decreto para regulamentar o poder de polícia da Funai. Agora, os servidores da autarquia poderão notificar infratores e apreender e destruir instrumentos usados para violar os direitos dos povos indígenas.

Senac 16 de julho — Capa (rail)

O decreto atende determinação do STF, atendendo reivindicação da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Apesar de a lei que criou a Funai, de 1967, prever poder de polícia para os agentes, isso nunca foi, de fato, posto em prática. Isso porque o texto era vago sobre quais as situações em que isso pode ocorrer.

Medida publicada hoje permite que agentes:

Interditem ou restrinjam acesso de terceiros a terras indígenas por prazo determinado;

Expeçam notificação de medida cautelar em caso de infração com prazo, sob pena de evoluir para um processo administrativo ou judicial;

Determinem a retirada compulsória de invasores quando houver risco para os povos ou terras indígenas;

Restrinjam acesso de terceiros às terras indígenas e áreas em que houver indígenas isolados;

SESC PICASSO

Solicitem colaboração de órgãos de controle e repressão, como as polícias;

Lacrem instalações usadas para infrações;

Apreendam ou destruam, em casos excepcionais, objetos usados para infrações.

A regulamentação do poder de polícia da Funai era reivindicação antiga dos servidores da autarquia. O tema voltou ao debate após o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na terra indígena do Vale do Javari (AM), em 2022.

CONTADOR - BONUS

Tramita ainda no Congresso um projeto de lei para permitir que os agentes de campo da Funai tenham porte de arma de fogo. O texto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em outubro passado, e precisa ser pautado no plenário da Casa para avançar.

As terras indígenas são fiscalizadas principalmente pela Funai. Em 2023, último relatório disponível, 208 indígenas foram mortos, 15% a mais do que no ano anterior, segundo informativo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Não há dados oficiais publicados até o momento. O Ministério dos Povos Indígenas disse que deve divulgar esses dados ainda neste ano, por meio de uma parceria com o Banco Mundial.

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